Motoristas de aplicativos no RS param por melhores condições de trabalho nesta terça

Haverá mobilizações em Porto Alegre, Guaíba, Caxias do Sul, Santa Maria, Eldorado do Sul, Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Campo Bom.

Motoristas de aplicativos (Uber, 99, Cabbify e Indriver) no Rio Grande do Sul farão uma paralisação de 24 horas nesta terça-feira (23). Eles, que não são “empresários” nem “empreendedores”, mas sim trabalhadores e trabalhadoras reivindicam melhores condições de trabalho, como o reajuste do valor do quilômetro rodado, que se encontra totalmente defasado, agravado ainda mais por vários aumentos nos preços dos combustíveis nos últimos meses, por causa da política desastrosa da diretoria da Petrobrás que beneficia os investidores e prejudica o povo brasileiro.

Haverá mobilizações em Porto Alegre, Guaíba, Caxias do Sul, Santa Maria, Eldorado do Sul, Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Campo Bom.

Na Capital, motoristas farão concentrações em vários pontos da cidade, saindo depois em carreatas até as sedes dos aplicativos.

Ao longo do dia, como gesto de solidariedade, motoristas que aderirem à campanha de doação de sangue irão transportar passageiros gratuitamente até o Hemocentro. Os níveis de estoque dos hospitais estão críticos, diante do agravamento da pandemia do coronavírus no Estado, e as doações podem salvar vidas.

“Estaremos paralisando, buscando melhorias para a categoria, como o aumento das tarifas aos motoristas e o fim dos produtos Uber Promo e 99 Poupa. Desde que as empresas estão em atividade em Porto Alegre, tivemos aumentos dos combustíveis, aumento de seguro de veículos, aumento do aluguel de automóvel, aumento da manutenção dos carros e aumento dos rastreadores. E as tarifas pagas aos trabalhadores só baixaram”, denuncia Carina Trindade, secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS).

Em 2015, o valor pago por km rodado aos motoristas era de R$ 1,25. Hoje, seis anos depois, os aplicativos pagam R$ 0,95 na Capital e R$ 0,90 na Região Metropolitana. No início havia um desconto de 25% das corridas. Agora o percentual de desconto varia entre 25% e 40%. Ou seja, os custos aumentaram, mas a remuneração dos motoristas caiu.

Mobilização reforça luta pela regulamentação 

Segundo dados do IBGE, houve um aumento de 138% nos últimos oito anos de motoristas de aplicativos no Brasil. Havia cerca de 4 milhões de brasileiros nesta atividade, em 2019. Isso se deve ao aumento do desemprego e à precarização do trabalho, que cresceu muito após as reformas trabalhista e da Previdência depois do golpe de 2016, que derrubou sem crime de responsabilidade a presidenta Dilma Rousseff (PT).

Para o secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, Claudir Nespolo, a mobilização dos motoristas de aplicativos é também importante para pressionar o Congresso Nacional para a aprovação de projetos que tratam da regulamentação da atividade com a garantia de direitos básicos.

O deputado federal Henrique Fontana (PT) é um dos autores do projeto de lei nº 4172/2020 que “dispõe sobre a criação de um novo contrato de trabalho em plataformas digitais de transporte individual privado ou de entrega de mercadorias”.

“As novas tecnologias não podem negar a proteção social e trabalhista para quem está no volante prestando serviços para uma multinacional, cujo patrão o motorista sequer conhece. Os trabalhadores e as trabalhadoras de aplicativos precisam de regulamentação para garantir direitos básicos e dignidade no trabalho”, destaca Nespolo, que defende o projeto apresentado por Fontana.

Vitória no Reino Unido

O dirigente da CUT-RS ressalta que recente decisão da Suprema Corte do Reino Unido garantiu que os motoristas da Uber devem ter direitos trabalhistas assegurados pela empresa, como salário mínimo e férias pagas.

Ao jornal britânico The Guardian, o secretário-geral do sindicato de motoristas de aplicativos do Reino Unido, James Farrar, afirmou que a decisão irá acabar com a exploração frequente de trabalhadores por meio de truques algorítmicos e de contrato.

“Os motoristas do Uber têm um sonho falso de flexibilidade sem fim e liberdade empresarial. A realidade tem sido salários baixos ilegalmente, horas perigosamente longas e vigilância digital intensa”, disse Farrar.

Apoie a paralisação dos motoristas de aplicativos

Para a CUT-RS, a melhor forma de apoiar o movimento é não utilizar os aplicativos para fazer corridas nesta terça-feira. “Também é importante compartilhar os materiais de divulgação do Simtrapli-RS nas redes sociais, provocando o debate sobre a situação de precariedade a que esses trabalhadores e trabalhadoras estão submetidos”, orienta Nespolo.

Fonte: CUT-RS com informações do Simtrapli-RS

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