Hospital de Porto Alegre aluga contêiner para acomodar pacientes mortos por Covid-19

Com a explosão de casos na capital gaúcha, o Hospital Moinhos de Vento registra 114,9% de
ocupação de UTI e o necrotério local não deu conta do número de mortos

A direção do Hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada de Porto Alegre (RS), decidiu alugar um contêiner refrigerado para colocar os pacientes mortos por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, após o esgotamento do necrotério do local.

“A nossa lista do morgue (necrotério), ontem (segunda-feira), ultrapassou a capacidade de acomodar as pessoas que faleceram dentro do hospital. Estamos contratando um contêiner para poder colocar as vítimas”, disse, em entrevista à GloboNews, o superintendente médico do hospital, Luiz Antonio Nasi.

Com o índice de internação superando a capacidade de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) – ocupação era de 114,9% de no início da tarde desta terça-feira (2) -, o hospital também transformou o centro cirúrgico e salas de recuperação em alas para receber doentes com Covid-19.

Nasi classificou a situação como “caótica”, relatando um “cenário de guerra” nas alas da instituição. O superintendente citou que o hospital atendeu mais de 7 mil pessoas com Covid-19 ao longo do último ano e que há a percepção de que a situação no momento é diferente da encontrada até então no combate à doença.

O médico acredita que a piora dos índices de internação e de óbitos tem relação com a disseminação da variação P1 do coronavírus no Estado, defendendo a maior restrição no trânsito de pessoas. A P1 foi identificada em Manaus, no Amazonas, mas já circula por várias cidades brasileiras, entre elas, Araraquara, onbde o prefeito decretou lockdown total para conter a violenta rapidez da disseminação do vírus.

“Atingimos o apogeu da gravidade. Os pacientes, além de serem mais jovens, estão muito mais graves. O tempo de permanência na UTI e os recursos dispensados para melhorar a oxigenação dos pacientes foram multiplicados. Isso determinou uma quebra da nossa rotina.”

Para atuar frente ao aumento de pacientes e da gravidade dos internados, médicos, anestesistas e enfermeiros de todas as áreas estão sendo requisitados para atuar na área covid.

Porto Alegre tem 1,5 milhão de habitantes e já soma 106.447 infectados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, segundo a prefeitura da capital gaúcha. O número de mortos é de 2.418.

Confira a nota divulgada pelo hospital

O Hospital Moinhos de Vento iniciou, esta semana, a execução de mais uma etapa do seu Plano de Gestão de Crise — elaborado pelo Comitê de Enfrentamento da COVID-19, criado no começo do ano passado. O momento atual registra os índices mais altos de internações e agravamento dos casos, gerando potencial crescimento no número de óbitos.

Diante desse cenário, o hospital colocou em prática a expansão programada em plano da estrutura do morgue (necrotério). Mesmo que não venha a ser utilizada, trata-se de uma medida preventiva que se faz necessária dentro dos padrões de qualidade assistencial e médica da instituição.

A partir desta terça-feira (2), será instalado provisoriamente um contêiner refrigerado anexo ao hospital. Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo. A estrutura atual comporta até três óbitos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento.

Há um ano, a instituição aplica medidas e adapta suas rotinas, buscando garantir a qualidade do atendimento e a segurança às equipes e pacientes. Abriu leitos de terapia intensiva de retaguarda e fechou a tenda de atendimento a pacientes com suspeita de COVID-19, direcionando para o atendimento da Emergência, que só recebe casos classificados como vermelho e laranja. Também, limitou a transferência de pacientes que necessitam de leitos no Centro de Terapia Intensiva. Os esforços são voltados a proporcionar o suporte necessário para ocasionar os melhores desfechos possíveis.

O Hospital Moinhos de Vento está com mais de 100% de ocupação dos leitos de terapia intensiva. Pessoas com menos de 60 anos de idade correspondem a 35% dos pacientes internados, o que enseja um sinal de alerta para que a população mais jovem redobre os cuidados

A instituição reforça o apelo à comunidade para que atente às normas de proteção. É fundamental que todos sigam as orientações das autoridades sanitárias, utilizando máscara em todos os momentos e higienizando as mãos e os ambientes de contato. E recomenda, ainda, que evitem ao máximo aglomerações e circulações desnecessárias, mantendo sempre o distanciamento social, principalmente neste momento crítico.

Fonte: CUT-RS

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