Prefeito de São Leopoldo pede firmeza no debate sobre novo sistema de distanciamento

Documento enviado à Granpal critica  modelo de protocolos a ser adotado pelo governo estadual

O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi (PT), enviou um documento para Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), no qual demonstra sua preocupação com os protocolos adotados no novo sistema de distanciamento que vem sendo proposto pelo governador Eduardo Leite (PSDB). A carta foi enviada após reunião do prefeito com a equipe técnica que orienta as decisões sobre a pandemia em São Leopoldo.

Em reunião nesta semana, Leite disse a prefeitos que a ideia é que o governo estadual interfira o mínimo, com redução de protocolos sanitários e maior autonomia aos municípios.

O novo modelo estava previsto para entrar em vigor na próxima segunda-feira (10), mas o governo acabou adiando sua estreia. A previsão é que divulgação ocorra em 13 de maio, entrando em vigor no dia 15. Até lá o estado segue com todas as regiões em bandeira vermelha e sem cogestão.

Na carta, endereçada ao presidente da Granpal, o prefeito da Capital, Sebastião Melo (MDB), ficou expressa a preocupação com os números da pandemia na região, associada aos efeitos da crise econômica nacional.

Em São Leopoldo, segundo consta no documento, a ocupação atual dos leitos UTI destinados aos pacientes da covid-19 ainda ultrapassa os 90%, enquanto os leitos clínicos estão com 70% de ocupação.

Preocupação com mais flexibilizações

A prefeitura de São Leopoldo e sua equipe técnica lembram que esta é a situação da maioria dos municípios da região, causando preocupação a adoção de um novo modelo pelo governo do estado que possa ser mais brando.

A carta ainda traz algumas outros problemas levantados pela equipe de gestão da pandemia. Entre eles o abandono de um sistema com indicadores fixos, a adoção de um sistema de indicadores variáveis e a falta de descrição de restrições mínimas obrigatórias, por exemplo.

Governo estadual abandona gestão da pandemia

Outra preocupação levantada é que a decisão de tomada de alerta ficará à cargo do comitê estadual de gestão de crise, sem que os municípios tenham acesso ao quadro estadual da pandemia. Mais grave ainda é o alerta de que, com mais flexibilidade entre os municípios, haverá grande instabilidade entre regiões conurbadas (cidades cujas fronteiras estão ligadas, como é o caso da maioria dos municípios da Região Metropolitana).

“A nossa posição e entendimento é que com estas alterações, o estado, na figura do governador Eduardo Leite, abandona de vez o seu papel de gestor no combate à pandemia, deixando municípios à deriva e sem norte”, afirmou Ary Vanazzi em comunicado.

O prefeito ressalta ainda que, mesmo com deficiências, o sistema de bandeiras garante uma unidade, mesmo que mínima, no combate à pandemia. Por fim, Vanazzi destaca ainda a possibilidade de mais um agravamento da situação da pandemia no estado, por causa do relaxamento dos protocolos juntamente com a demora no processo de vacinação da população.

Ainda, teme o risco da falta de insumos e políticas de assistência do governo federal. “Os prefeitos serão culpabilizados por eventuais falhas e parece mesmo que o governador quer se eximir de qualquer responsabilidade. A Granpal deve ter uma posição firme neste debate”, finaliza.

Fonte: Brasil de Fato RS

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