“Precisamos trabalhar juntos”, afirma o diretor do STIMMMESL, Sérgio Camargo de Campos 

Natural de Santa Cruz do Sul, desde 1987 o metalúrgico Sérgio Camargo de Campos vive em Sapucaia do Sul. Trabalhador da Taurus Polimetal há 25 anos, ele está iniciando o segundo mandato como dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) e afirma que as expectativas estão melhor que no primeiro mandato. “No meu modo de ver, acho que pude ajudar mais nos últimos dois anos, porque antes estava engatinhando, aprendendo com um, com outro”.

Com 54 anos, casado há 28 com a Susana e pai do Cristian, de 23 anos, Sérgio afirma que os sindicatos são fundamentais para a garantia dos direitos dos trabalhadores. “No meu modo de pensar, se não existisse os sindicatos chegaríamos próximo do trabalho escravo, pois não teríamos ninguém para defender os trabalhadores”, acredita.

Confira a íntegra da entrevista:  

 

Conte um pouco da sua história. Como entrou no movimento sindical? 

Nasci em Santa Cruz do Sul, onde vivi até os três anos, mais ou menos. Depois minha família saiu de lá e foi para Soledade, depois para Sapucaia e voltamos para Santa Cruz, de onde sai apenas para ir ao quartel. Depois, devido às dificuldades nas plantações de fumo, optei por vir para a cidade, para Sapucaia, onde estou desde 1987. Trabalhei no Rossi, na Para mola Sul?, na  Gerdau e estou na Taurus, há 25 anos. Sou casado há 28 anos com a Susana, tenho um filho de 23 anos, o Cristian. Me associei ao Sindicato na época do Rossi, em 1987, sai porque fui para outro ramo saí e quando voltei para a Gerdau, me associei, acho que já faz uns 23 anos que sou sócio.

 

 

Você está iniciando mais um mandato como dirigente sindical, como está a expectativa? 

Melhor do que quando entrei. O primeiro mandato, para mim, foi um aprendizado. No meu modo de ver, acho que pude ajudar mais nos últimos dois anos, porque antes estava engatinhando, aprendendo com um, com outro. A gente está sempre aprendendo, falo que até nas divergências que temos, internas, a gente aprende um com outro. Como falei uma vez para o presidente, a gente aprende nas divergências também.

 

Qual a importância da PLR como um programa de distribuição de renda entre os trabalhadores? 

Vejo como muito importante a PLR para os trabalhadores. Mas ali na Taurus, percebo umas dificuldades que não vejo em outras empresas, mudam os negociadores… Já negociei PLR e sei que não é fácil, a empresa está sempre reclamando e reclamando que não tem lucro. É uma luta negociar PLR, mas mesmo assim, conforme estiver as coisas ano que vem, pretendo voltar para  a comissão de negociação.

 

E da CIPA como forma de organizar os trabalhadores? 

A CIPA antigamente era diferente. Hoje, acho que quem é dá CIPA tem que fazer mais, já na hora que sabe dos problemas, não esperar as reuniões, mas já cobrar do gerente, do supervisor, correr na frente. Porque quem é da CIPA representa todos os trabalhadores e pode cobrar coisas que os demais trabalhadores não podem. É preciso fugir da rotina de levar as demandas para reuniões que ocorrem daqui 15, 20 dias, tem que tentar resolver na hora. Os da CIPA estão ali para isso.

 

Qual a importância dos sindicatos na vida dos trabalhadores?  

No meu modo de pensar, se não existisse os sindicatos chegaríamos próximo do trabalho escravo, pois não teríamos ninguém para defender os trabalhadores. Vejo que sem os sindicatos os trabalhadores seriam como escravos. Pois os patrões iriam fazer o que quisessem, como e na hora que quisessem e já era. Então, os sindicatos são fundamentais para os trabalhadores.

 

Qual a tua avaliação dos ataques que a classe trabalhadora tem sofrido desde o golpe de 2016. Como as reformas trabalhistas e da previdência? 

É um prejuízo irreparável, não vai ter mais como reparar esse prejuízo. O que pode acontecer, se o governo Lula ganhar, é melhorar, remediar, mas o que fizeram não tem como buscar mais, o estrago foi muito grande. Então a questão de que o governo tirou tanto direito nosso e quer tirar ainda mais que se chegar a ganhar, estamos ferrados, porque vão tirar o resto de direito que nos temos. E precisamos informar isso para os trabalhadores. Acho que um jeito de convencer os trabalhadores que são do Bolsonaro, não é falando mal dele, mas colocando os direitos que eles estão tirando. Passar para eles, que independente do governo, estão retirando direitos nossos e vão retirar mais.

 

 

O movimento sindical, como um todo, está muito desacreditado. Como reverter isso? 

Acho que nós, que somos diretores dentro das fábricas, somos as peças chaves. Nós que estamos juntos dos trabalhadores temos que, a cada dia mais, convencer os trabalhadores que sem o Sindicato viraríamos uma mão de obra escrava. Outra coisa, que até o Valmir falou outro dia, que sabemos, mas passa despercebido, é sobre a nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)… Não é passar para os trabalhadores a nossa infraestrutura, como ginásio e salão, mas passar os direitos que estão garantidos na Convenção, porque se não tem o Sindicato, não tem esses direitos. O resto dos serviços e da estrutura oferecida é importante, mas o primeiro passo é mostrar a nossa luta pelos direitos dos trabalhadores.   

 

Na tua opinião, qual o principal desafio do movimento sindical no próximo período? 

Nunca é demais ter união, trabalhar unido. Porque vejo que o Sindicato não precisa ser de apenas uma corrente, pode ter várias e é saudável, democrático. Desde que uma respeite a outra e seja todo mundo trabalhando junto na luta pela classe trabalhadora. Não podemos, quando acontece algum problema com algum companheiro, divergência, ele não pode ser afastado, mas precisamos sim resgatar o companheiro, traze-lo de volta. Isso é união, no meu modo de ver, o principal. Porque um sem o outro, não somos nada… Todos são importantes, quem está na fábrica não é nada sem a direção, assim como quem está aqui no Sindicato não é nada sem os diretores de fábrica. Precisamos trabalhar juntos.

 

E da indústria? Como gerar empregos? 

Eu vejo que tem gerar empregos, mas não pode ser como o governo de hoje faz, que diminui os direitos e o salário. Não adianta aumentar os empregos e as pessoas trabalharem de graça, tem que ser emprego de qualidade e com salário digno. Não adianta a empresa ter três mil trabalhadores e pagar o mesmo que pagaria para 1.500, há 10 anos atrás. Então, é uma questão bem complexa.

 

 

Como atrair mais sócios para o sindicato? 

Outra vez vou citar nós, que estamos dentro da fábrica. A direção é muito importante, mas quem mais tem que trazer sócios são os diretores das fábricas. Se a Taurus, Gerdau, Gedore não conseguem associar, a responsabilidade é maior de quem está dentro da fábrica e não do presidente, do vice que estão aqui. Nós que temos que convencer os trabalhadores, falando o que é o Sindicato.

 

Gostaria de acrescentar alguma coisa? 

Acho que para toda a sociedade o que precisamos é de força, fé e Deus no comando.

 

 

Fonte: STIMMMESL

Imagens: Israel Bento Gonçalves (STIMMMESL)

 

 

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