5º Encontro do Coletivo Gabi de Mulheres Metalúrgicas reúne mais de 200 trabalhadoras no litoral gaúcho e fortalece luta por direitos
Atividade estadual em Cidreira reforça organização das mulheres, debate combate à violência e aponta caminhos para ampliar direitos no trabalho e na sociedade.
Nos dias 13, 14 e 15 de março, mês marcado pela luta das mulheres, o Coletivo Gabi de Mulheres da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTM-RS), vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), realizou o 5º Encontro Estadual de Mulheres Metalúrgicas. A atividade aconteceu na Colônia de Férias do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA), em Cidreira, reunindo mais de 200 trabalhadoras de pelo menos 29 sindicatos de diversas regiões do estado. Diretoras do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) e trabalhadoras da base participaram do Encontro.

A programação teve início na noite de sexta-feira (13), com a chegada das delegações, marcando o começo de um importante espaço de integração entre as metalúrgicas gaúchas. O encontro foi conduzido pelas diretoras sindicais Joyce Gomes e Taiane Mello, com o apoio da educadora popular, Lurdes Santin.
Sobre a importância desse espaço, Joyce destacou: “A troca de experiências entre trabalhadora e dirigente sindical. Todos nós temos nossos problemas, nossa vida pessoal e é uma troca onde uma ensina a outra”.

Abertura e debate sobre violência contra a mulher
Na manhã de sábado (14), ocorreu a abertura oficial, com a saudação de dirigentes sindicais de diversas regiões, além do presidente do STIMEPA, Adriano Filippetto, que destacou a importância da participação ativa das mulheres na organização sindical e na luta por igualdade de direitos.

Na sequência, a deputada federal Denise Pessoa trouxe uma reflexão sobre o enfrentamento ao feminicídio, abordando os debates em curso na Câmara dos Deputados e reforçando a necessidade de ampliar políticas públicas de proteção às mulheres.
Ainda durante a manhã, as participantes se dividiram em grupos para discutir a realidade das mulheres no ambiente de trabalho e em casa, compartilhando experiências e desafios cotidianos.
Troca de experiências e fortalecimento coletivo
A noite de sábado foi marcada por um momento de mística e acolhimento, seguido de confraternização, fortalecendo os laços de solidariedade e união entre as trabalhadoras.
Para a metalúrgica de Cachoeirinha, Andressa Coelho, a experiência foi marcante: “É muito bom estar no meio dessas mulheres fortes, que a gente saia daqui mais fortalecida. É minha primeira vez aqui e pretendo vir mais anos”.

Formação, dados e luta por direitos
No domingo (15), a programação foi organizada pelo STIMEPA e iniciou com um café temático sobre violência doméstica e feminicídio, conduzido pela militante feminista Maria Eunice. Durante sua fala, ela alertou: “A gente avançou muitas coisas, mas isso ainda não está garantido”, reforçando a necessidade de continuidade da luta.
Ela também destacou a importância da mobilização pelo fim da escala 6×1 e o dia 20 de março como marco de luta pela redução da jornada de trabalho.
Na sequência, a advogada Roberta Pochmann Simoni, do escritório Woida, apresentou dados relevantes sobre a realidade das trabalhadoras. Entre os destaques, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em lares com crianças de até seis anos, o número de mulheres fora do mercado de trabalho é quatro vezes maior que o de homens. Estudos da Fundação Getúlio Vargas apontam a saída significativa de mulheres do mercado após a licença-maternidade, enquanto dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos evidenciam a persistente desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Organização e continuidade da luta
Encerrando a programação, a vice-presidenta da Federação, Eliane Morfan, destacou a importância da presença das mulheres nas mesas de negociação e dentro das estruturas sindicais.
Para ela, o resultado do encontro foi além do esperado: “Esse 5º encontro supera nossa expectativa. Esse ano veio muita trabalhadora do chão de fábrica. Isso mostra para nós que está dando certo o formato que a gente vem trabalhando”.
Ao final do encontro, as participantes realizaram uma caminhada até a árvore de pitanga plantada em 2023, simbolizando a continuidade da luta e o fortalecimento da organização das mulheres metalúrgicas.
A dirigente de São Leopoldo, Erenita Fernandes dos Anjos reforçou o compromisso com o futuro: “Quero continuar esse trabalho e cada ano trazer mais trabalhadoras. Esse é o nosso dever como dirigente sindical”.

Unidade, formação e futuro
O 5º Encontro Estadual de Mulheres Metalúrgicas reafirma a importância da organização coletiva, da formação política e da luta permanente por igualdade, dignidade e melhores condições de vida e trabalho para todas as mulheres.

Fonte: Luiza Alves (STIMEPA)
Fotos: Luiza Alves (STIMEPA)
