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Sindicato participa de Plenária Estadual dos Metalúrgicos da CUT-RS

A Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTM-RS) reuniu dirigentes das entidades filiadas na manhã desta quarta-feira (25), na Plenária Estadual dos Metalúrgicos da CUT-RS. A atividade aconteceu no auditório da CUT-RS, em Porto Alegre, e contou com a presença de dezenas de lideranças metalúrgicas, entre esses diretores do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL). A definição da pauta de reivindicações que vão nortear as campanhas salariais 2026/2027 marcou a atividade.

O debate sobre as cláusulas econômicas e o relato dos dirigentes acerca da realidade de trabalho nas regiões marcaram a Plenária. Para as entidades que tem data-base em 1º de maio já definiram a pauta de reivindicação. Porém, outros sindicatos, como o STIMMMESL tem data-base e mesa de negociação diferentes.

O presidente do STIMMMESL, Valmir Lodi, destacou a importância de garantir a reposição da inflação e algum percentual de aumento real. “A nossa data-base é 1º de julho e em São Leopoldo e região vamos lutar para garantir ganho real além da inflação e em relação ao Vale-Alimentação, defendemos a negociação por empresas, pois a realidade muda muito de uma para outra”, defendeu ele.

 

 

Conjuntura econômica

Antes, do debate a análise de cenários e das negociações coletivas em 2026 foi apresentada pelo economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ricardo Franzoi, que trouxe elementos a serem levados em conta na pauta de reivindicações e nas mesas de negociação. Segundo ele, o índice do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado no começo de março, mostra crescimento e ao mesmo tempo, desaceleração. Já a indústria cresceu 1,4% em 2025, em relação a 2024.  “A inflação e a taxa de juros também impactam diretamente na vida das pessoas. E a previsão de que a inflação aumente até o final do ano”, ponderou.

Considerando as perspectivas econômicas para a economia gaúcha em 2026, Franzoi destacou o cenário externo incerto, a possibilidade de recuperação da agropecuária, uma boa safra e a expansão do PIB gaúcho. Ele também divulgou que no RS, o mercado de trabalho dá sinais de acomodação, mas em nível alto. Para o economista, entre os argumentos da patronal, podem estar esse sinal de desaceleração no mercado de trabalho e que o aumento de salário pode ser um impulso para isso, já que aumentos e promoção são concedidos com base no mérito individual e resultados. “Porém, sempre há um exagero para piorar o cenário”, apontou ele.

 

 

Um destaque foi a alta da cesta básica nos últimos anos, que teve um percentual maior que os reajustes conquistados. De acordo com Franzoi, em janeiro deste ano, 53% do salário mínimo era destinado para a cesta básica na capital gaúcha. Por fim, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais foi classificada como “uma baita conquista, porém ainda não sabemos como o trabalhador vai reagir e vai sentir isso no bolso.”

Combate ao feminicídio

A vice-presidente da Federação, Eliane Morfan, junto com todas as diretoras que estavam presentes na Plenária, entregou uma pauta com 21 reivindicações oriundas dos debates e trabalhos em grupo realizados no Encontro Estadual do Coletivo Gabi de Mulheres, que aconteceu nos dias 13, 14 e 15 de março. O foco principal do Coletivo Gabi é o combate ao feminicídio.

“Todos nós fomos paridos por uma mulher e a cada notícia de que uma mulher foi morta, nos dói, também morremos um pouco. Vivemos com medo. Porém, como diretoras sindicais, precisamos compreender e fazer esse debate. É necessário falar disso em casa, com nossos filhos, nos locais de trabalho, no chão de fábrica e nas mesas de negociação”, afirmou.

 

 

Eliane também chamou atenção de que os sindicatos precisam estar preparados para auxiliar as mulheres vítimas de violência doméstica. “Como entidade, precisamos saber como acolher essas trabalhadoras que são vítimas de violência doméstica. Elas também não podem ser penalizadas no trabalho. Por exemplo, imagina uma trabalhadora que sofreu uma agressão e não vai trabalhar, não pode ter desconto no seu salário nesta situação. Precisamos levar essa realidade para as mesas de negociação”, disse.

Abertura – o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci participou da abertura da Plenária e enfatizou os desafios que estão colocados para este ano. “O movimento sindical tem importantes tarefas, precisamos realizar uma grande marcha à Brasília no próximo dia 15 e um Dia do Trabalhador em várias regiões do RS. Precisamos fazer um investimento pesado no 1 de maio, lutando com redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio, entre outras pautas”, disse Amarildo.

Durante a atividade, também foi realizado um minuto de silencia em homenagem ao companheiro metalúrgicos, ex-presidente da CUT-RS, da FTM-RS e dos sindicatos da grande Porto Alegre e de Cachoeirinha, Jairo Carneiro.

 

 

Fonte: FTM-RS

Fotos: Renata Machado

 

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