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Com reajuste acima da inflação, salário mínimo de R$ 1.621 será pago em fevereiro

O salário mínimo, que é referência para os ganhos de 60 milhões de brasileiros, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi reajustado em 6,79%, o equivalente a R$ 103 a mais do que o ano anterior. O novo valor de R$ 1.621 passa a valer a partir deste mês de janeiro, com pagamento nos contracheques de fevereiro.

O resultado é a soma do acumulado durante os 12 meses anteriores do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor (INPC), que é a inflação oficial do país, que fechou em 4,18% em novembro de 2025, mais o aumento do PIB de dois anos antes, limitado sempre ao teto de 2,5%. O valor injetará na economia brasileira mais de R$ 80 bilhões no ano, segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

O secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo aponta a retomada da economia como uma das conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras com o aumento do salário acima da inflação.

“Nós estamos no início de ano com bastante indicadores econômicos positivos e essa é mais uma sinalização de que a vida do trabalhador de baixa renda tem uma recuperação, ainda que lenta, não na velocidade que todos gostaríamos, mas pelo menos acima da inflação anual, o que significa uma injeção de valores bastantes robustos para a economia brasileira, chegando a quase 100 bilhões de reais”, diz Ariovaldo de Camargo.

O reajuste também será pago para os aposentados do INSS que ganham até um salário mínimo, no Abono Salarial e benefícios assistenciais como o BPC/LOAS, o que, beneficia a economia de pequenos municípios do país.

“Aquele trabalhador aposentado é responsável, em muitas cidades do Norte e Nordeste desse país, pelo incremento da economia, com melhor arrecadação de impostos, que se transforma em melhorias gerais para os próprios municípios”, pontua.

 

Reajustes acima da inflação

A inflação acumulada (INPC) de 2003 a 2025 foi de 289,9%, mas o aumento real acumulado do salário mínimo teve um ganho real acima da inflação de 94,7%.

Nos índices abaixo na tabela do Dieese não está computado o reajuste deste ano.

 

Dieese

 

Acumulado até 2026

Ao somar o INPC de 2003 a 2026, o índice chega a 294,1%, com o ganho real do salário mínimo ficou em 97,3% acima da inflação.

A Política de Valorização do Salário Mínimo – Luta da CUT

Em 2004, por iniciativa da CUT e com apoio das demais centrais sindicais, se deu início a um movimento histórico com o lançamento da Campanha pela Valorização do Salário Mínimo. Foram realizadas três marchas conjuntas em Brasília com o objetivo de pressionar e, ao mesmo tempo, fortalecer a opinião dos poderes Executivo e Legislativo sobre a importância social e econômica da proposta de valorização do salário mínimo. Também como resultado dessas negociações, foi acordado, em 2007, uma política permanente de valorização do salário mínimo.

Após o golpe contra a presidenta Dilma, em 2016, a política foi interrompida por Michel Temer (MDB). Durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL), a política foi enterrada de vez, já que a lei que permitia o reajuste acima da inflação até 2019. Entre 2017 e 2022, o salário mínimo deixou de receber aumento real cinco vezes.

“Essa política, que tinha sido interrompida durante o governo golpista do Temer e depois também do governo Bolsonaro, foi retomada desde a volta de Lula à presidência da República. Essa legislação foi uma conquista das centrais sindicais, nas marchas que foram realizadas pela valorização do salário mínimo, lá no primeiro e segundo governo do presidente Lula, que foi mantido durante o governo da presidenta Dilma e interrompida depois do golpe”, lembra Ariovaldo de Camargo.

A volta da Política de Valorização do Salário Mínimo foi anunciada pelo presidente Lula em maio de 2023, em seu terceiro mandato, por meio de uma medida provisória. Mas foi no mês de agosto, em uma data simbólica – o dia 28, dia do aniversário da CUT, que o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 15/2023, foi sancionado.

Com o texto sancionado por Lula, a política de valorização do salário mínimo deixa de ser apenas uma política de governo e se torna uma política de Estado, que não pode deixar de ser cumprida por futuros governos a não ser que seja aprovada uma nova lei que revogue a que foi aprovada.

 

Fonte: CUT Nacional

Foto: Roberto Parizotti (Sapão)

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