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Após prejuízo na PLR, trabalhadores da Gerdau aprovam que o Sindicato negocie com a empresa

Na manhã desta quinta-feira (22), o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) realizou uma assembleia com as trabalhadoras e trabalhadores da Gerdau, na planta de Sapucaia do Sul. Na ocasião, os metalúrgicos aprovaram que o Sindicato procure a empresa para negociar um novo formato da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e aumento no vale-alimentação (VA).

 

 

Hoje, trabalhadores da Gerdau de diversos estados realizam um movimento nacional. Pois no mesmo mês que a Gerdau comemorou 125 anos, resolveu reduzir o valor da PLR. O Ebtida, método da empresa que influencia diretamente a Participação nos Lucros (junto com as metas), foi zerado esse ano. A medida seria ocasionada por conta do tarifaço, imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump a uma série de produtos brasileiros, porém a taxação não se aplica aos aços longos, produzido pela empresa.

“Desde 1995, quando a Gerdau implantou a PLR, hoje é um dia muito triste, pois quem produz a riqueza da empresa, quem torna a Gerdau um das maiores produtoras de aço do Brasil, recebeu uma miséria de Participação de Lucros e teve trabalhadores que não ganharam a PLR”, lamentou o  presidente do Sindicato, Valmir Lodi ao afirmar que é preciso abrir uma negociação. “Temos que negociar esse modelo, porque a empresa não pode fazer o que quer.”

 

 

Valmir contou que em 1995, ele integrou a comissão de negociação da PLR.  “Hoje não tem mais essa eleição para escolher o representante dos trabalhadores.  É a própria empresa que escolhe, olha que absurdo. E esse sistema não dá mais, ninguém sabe o que é o Ebtida, por exemplo. Queremos desvincular o Ebtida das metas e negociar o que está ao alcance dos trabalhadores”, afirmou o presidente.

O secretário de Gênero, Juventude e Raça do Sindicato e trabalhador da Gerdau, Alexandro da Silva Braga, garantiu que a Gerdau não participa os lucros, se fizesse os trabalhadores estariam felizes. “A empresa divide apenas uma pequena fatia e ainda tiram isso dos trabalhadores.  Precisamos negociar esse sistema, por isso estamos aqui”, disse.

 

 

O valor do VA também foi criticado pelo dirigente. “Se é uma empresa única, porque há diferenças entre os valores recebidos nas plantas?”, questionou ao afirmar que “quando é de interesse da Gerdau é corporativo, quando é benefício para os trabalhadores, não. Por isso essa reivindicação é incorporada e vamos lutar junto com a PLR”, explicou.

 

 

Destacando que o papel do Sindicato é lutar por todos os trabalhadores, inclusive os que estão terceirizados, o secretário de Finanças do Sindicato, Genilso Vargas da Rosa também indagou se é dessa maneira que a empresa valoriza justamente quem transforma a Gerdau na potência que ela é. “É uma vergonha! Um trabalhador receber um PLR zerado é um desrespeito com quem deixou parte da sua vida e do seu tempo para a Gerdau”, enfatizou Genilso.

 

 

Na mesma linha, o trabalhador da Gerdau, Luis Henrique de Oliveira Rodrigues salientou que é “muito absurdo receber um PLR zerado. A gente vem aqui, bate ponto, se dedica, faz horas extras para isso. É muito decepcionante para todos os trabalhadores da Gerdau”.

Além dessas pautas, os dirigentes também falaram sobre as inúmeras situações de assédio moral com os trabalhadores terceirizados. Os diretores afirmaram que se a Gerdau contrata uma empresa ela também é responsável pela postura e pelas injustiças cometidas pela terceira.

 

 

O secretário-geral do STIMMMESL, Valdemir Ferreira Pereira garantiu que o Sindicato sempre vai defender a dignidade dos trabalhadores. “Não tem cabimento a Gerdau contratar uma empresa que humilha as pessoas. Tem trabalhadores afastados por doenças mentais causadas pelo ambiente de trabalho e assédio que sofrem. Um país forte tem que ter uma indústria forte e isso se faz com valorização dos trabalhadores”, declarou ele.

 

 

Por fim, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Loricardo Oliveira relatou uma situação na planta de Pindamonhangaba (SP), que rendeu dois dias de greve. “Queriam fechar um setor inteiro naquela unidade e foi graças a mobilização dos trabalhadores com o sindicato que foi possível negociar”, contou.

Segundo Loricardo, na ocasião havia trabalhadores afirmando que a empresa era uma grande família. “Mas que família é essa que o pai deixa os filhos sem receber uma parte do pão? Que família é essa que quando passa por dificuldades financeiras, quem paga são os filhos? Com o Ebtida zerado, qual é a mensagem da empresa? Que os acionistas não podem ter perdas, mas os trabalhadores podem ser prejudicados porque a empresa quer reduzir custos. Por isso, não vamos aceitar que os trabalhadores paguem essa conta”, finalizou.

 

 

A Gerdau costuma pagar a PLR por semestre. Após a assembleia de hoje, o STIMMMESL vai procurar a empresa para negociar o formato de PLR que não inclua o Ebtida. Também irá propor um aumento no VA como forma de valorizar os trabalhadores e seguirá acompanhando e cobrando providências acerca das denúncias sobre as empresas terceirizadas.

 

Fonte: STIMMMESL

Fotos: Renata Machado

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