Metalúrgicos de São Leopoldo e região aprovam reajuste com aumento real e manutenção dos direitos
Índice de reajuste é um dos maiores entre os metalúrgicos do RS
Com o auditório do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) lotado, a categoria aprovou o reajuste salarial de 5,30%, encerrando a campanha salarial 2026/2027. A decisão foi por ampla maioria e ocorreu durante assembleia realizada na sede da entidade, na noite desta quinta-feira (20). A data-base da categoria é 1º de julho.

O reajuste de 5,30% foi composto pela reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período, de 4,33%, acrescida de 0,97% de aumento real. Para o piso salarial, foi aprovado um reajuste maior, de 6,55%, um dos mais elevados entre as categorias de metalúrgicos do Rio Grande do Sul. Além dos reajustes econômicos, foram mantidas as cláusulas sociais previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
“Foi muita luta para gente ter essa proposta para apresentar. E ela só foi fechada ontem, às 17h. É muito importante que todos que estão aqui tenham consciência disso. A luta é de toda a categoria e só com unidade avançamos. Essa proposta é fruto da mobilização de vocês”, afirmou o presidente do Sindicato, Genilso Vargas da Rosa.
Ele relatou a andamento da negociação, a demora para a entidade patronal abrir a negociação e a mobilização feita em 14 fábricas da base. “Não tinha avanço, eles não queriam discutir a nossa pauta. Nos chamaram apenas após a assembleia na Copé e só apresentaram uma proposta, que precisava ser melhorada, após a parada na Taurus. “E os trabalhadores sempre pegando junto e mostrando que estavam dispostos a lutar e a conquistar. Fizemos grandes assembleias.”
O dirigente salientou a conquista do percentual de reajuste ficou acima dos sindicatos da região que tem data-base em 1º de maio. “O reajuste no piso também foi uma luta fundamental, pois muitos iniciam com o piso e tem que ser valorizado. Por isso, estamos todos de parabéns”, garantiu Genilso.

Os diretores que participaram das reuniões de negociações também falaram aos trabalhadores. O secretário de Finanças da entidade, Alexandre Rosa da Rocha enfatizou o quanto a mobilização da categoria fez a diferença. “A principal pauta dos patrões é tirar o quinquênio, parece o sonho deles e se isso não vai acontecer é por conta de vocês. A mobilização na porta de fábrica é fundamental para termos avanços.”
O diretor Roni do Carmo Rodrigues agradeceu a presença de todos “que confiam no trabalho do Sindicato e tem a consciência de classe”. Ele também reforçou que a pauta da patronal é de retirada de direitos. “Somos uma ferramenta de luta de vocês e a nossa categoria está de parabéns”, disse.

Na mesma linha, o secretário de Prevenção e Saúde do Trabalhador, Alexandro Braga, destacou a força e respaldo do Sindicato para reverter a mesa e os direitos que os patrões queriam tirar. “Foram 14 fábricas bem mobilizadas e é isso que faz a mesa andar, a união doa trabalhadores. Por isso, essa proposta é uma conquista coletiva”, defendeu ele.
Trabalhadores da Taurus seguem mobilizados
Devido a postura intransigente da Taurus, neste primeiro momento com a aprovação da CCT, os trabalhadores da empresa garantem a reposição de 4,33% e segue em luta para garantir a diferença de 0,97%. O argumento da Taurus para não pagar o aumento salarial e valorizar seus trabalhadores é a taxação do governo de Donaldo Trump, mesmo com os lucros milionários que a empresa apresenta.

Todos os dirigentes que são trabalhadores da fábrica se manifestaram na assembleia e com o apoio massivo prometeram uma grande luta para garantir o aumento real e combater o desrespeito por parte da empresa.
O secretário de Comunicação do STIMMMESL, Valmir Lodi, lembrou uma situação parecida que ocorreu com a Gerdau em 2015. “Naquela ocasião ficamos mais de um ano lutando, mas conseguimos. E agora, tenho certeza que juntos vamos conseguir. Vamos fazer a luta dentro da Taurus e os trabalhadores vão cruzar os braços para eles sentirem no bolsoe valorizassem quem produz a riqueza da empresa”, afirmou Valmir.

Desconto assistencial: também foi aprovado na assembleia o valor do desconto assistencial. Para os trabalhadores com salário até R$ 2.612,00, serão cinco parcelas de R$ 27,00. Quem tem remuneração acima de R$ 2.612,00, serão cinco vezes de R$ 32,00. O desconto assistencial dos trabalhadores fica vinculado ao fechamento do acordo com a Taurus.
A assessoria jurídica do Sindicato acompanhou a assembleia.

Fonte: STIMMMESL
Fotos: Renata Machado (STIMMMESL)
