Conferência mundial debate organização dos metalúrgicos no segmento siderúrgico

Evento da IndustriALL foi encerrado na manhã de ontem na Alemanha e reuniu representantes de 24 países. CNM/CUT esteve presente e participou de dois painéis

 

Com uma visita à sede da ThyssenKrupp, foi encerrada na manhã desta quarta-feira (23), em Duisburg (Alemanha), a Conferência Mundial de Trabalhadores na Indústria de Metais Básicos, promovida pela IndustriALL Global Union (federação internacional dos trabalhadores na indústria).

 

A atividade, iniciada na segunda-feira, reuniu cerca de 100 representantes de 32 entidades sindicais de 24 países, além de convidados internacionais. O secretário geral em exercício da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Loricardo de Oliveira, representou os trabalhadores cutistas em siderurgia no Brasil. Ele esteve acompanhado pela técnica da Subseção do Dieese da CNM/CUT, Cristiane Tiemi.

 

Ao longo dos dois dias de Conferência, foram amplamente debatidos os desafios que o segmento enfrenta em nível mundial, tanto no aspecto da produção quanto, principalmente, o combate às condições adversas de trabalho e a necessidade de ampliar a organização sindical nas empresas e implantar redes sindicais de trabalhadores.

 

Para os participantes, é preciso uma ação sindical global na siderurgia, focada nos cinco objetivos da IndustriALL, que são: construir/ampliar o poder sindical, por meio da organização e campanhas; defender os direitos dos trabalhadores; lutar contra o trabalho precário; garantir uma política de emprego industrial sustentável; e confrontar o capital global.

 

Defender trabalhadores

Na abertura da atividade, o secretário geral da federação internacional, Valter Sanches, fez uma análise da conjuntura mundial, avaliando que os trabalhadores estão passando por período difícil.

 

“O futuro não parece muito promissor com essas mudanças radicais pelas quais o mundo vem passado, como o golpe no Brasil, a decisão do Reino Unido em sair da União Europeia, a eleição de Donald Trump nos EUA e os problemas que a América Latina vem enfrentando, só para citar alguns”, assinalou, lembrando que diante disso, o comércio internacional vive um momento de incerteza.

 

“Em paralelo, há mudanças expressivas na indústria – a chamada quarta revolução industrial ou indústria 4.0 – que vai demandar uma ação muito maior e mais qualificada do movimento sindical, para assegurar uma transição justa para este novo modelo de produção. São tempos difíceis para os trabalhadores, mas temos que ir à luta para defender empregos e condições de trabalho dignas. Enfim, a luta continua”, afirmou Sanches.

 

Redes sindicais

O secretário geral em exercício da CNM/CUT participou do painel “Redes Sindicais Globais e Acordos Marco Internacional: construindo o poder sindical nas indústrias de metais básicos”.

 

Em sua intervenção, destacou a importância das redes no contexto atual, de globalização econômica, precarização das relações de trabalho e enfraquecimento da representação sindical. Falou ainda sobre o papel das redes para as entidades no Brasil.

 

“Além de fortalecer o sindicalismo internacional, as redes – nacionais ou internacionais -, ajudam o sindicalismo brasileiro a lidar com questões normalmente enfraquecidas pela estrutura sindical oficial e também nas negociações, por exemplo. Favorecem o intercâmbio de informação sobre condições de trabalho nas diferentes plantas de uma mesma empresa. Também é um instrumento para a construção de um Contrato Coletivo Nacional de Trabalho. Outro aspecto, no caso brasileiro, é que as Redes também unem as centrais sindicais para ações conjuntas, independentemente de suas diferenças políticas”, pontuou Loricardo, que também integra a coordenação do Comitê Mundial dos Trabalhadores na Gerdau.

 

Produção excedente

Os impactos do excesso da capacidade produtiva do aço também foram abordados em painel que analisou os reflexos desse problema para o segmento e, consequentemente, para os trabalhadores. Segundo informações apresentadas, a capacidade produtiva estimada do segmento no mundo em 2014 era de 2,3 bilhões de toneladas e foram produzidas 1,6 bilhão de toneladas. Ou seja, o excedente da capacidade foi de 700 milhões de toneladas.

 

Painel sobre capacidade

A técnica da Subseção do Dieese da CNM/CUT apresentou um balanço sobre a indústria do aço no Brasil, lembrando que a situação do país é especialmente delicada, porque a China é sua principal parceira comercial e responsável por metade da produção do aço no mundo. Cristiane lembrou que o Brasil e a América Latina não podem adotar as mesmas medidas que os países centrais (como aumentar alíquota de impostos, por exemplo), porque as condições da economia são distintas.

 

No entanto, um consenso entre os painelistas sobre este tema foi o de que os trabalhadores estão sofrendo as principais consequências de toda a reestruturação pela qual passa a indústria de metais básicos, em todo o mundo, e que a unidade de ação e a solidariedade de classe – inclusive com os metalúrgicos chineses – são essenciais para impedir os ataques à categoria.

 

Ao final da Conferência, os participantes também demonstraram seu apoio e solidariedade à luta dos trabalhadores da Coreia do Sul, que estão organizando uma greve geral para o próximo dia 30 em defesa dos seus direitos (foto abaixo)

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT

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