Cerca de dois mil metalúrgicos paralisam atividades contra a Reforma da Previdência em São Leopoldo

O Dia Nacional de Paralisação contra a Reforma da Previdência começou cedo em São Leopoldo, no Vale dos Sinos, nesta quarta-feira (15). Desde às 5h da manhã, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) junto com professores municipais, vigilantes e representantes de partidos políticos realizaram uma assembleia com os trabalhadores da Stihl, Taurus, Copé e Delga.

 

A atividade teve como objetivo dialogar com a categoria sobre os perigos que a PEC 287, da Reforma da Previdência, representa para a classe trabalhadora. Durante mais de três horas, os trabalhadores cruzaram os braços, receberam os materiais da campanha da CNM/CUT, CUT-RS e sindicatos e ouviram atentos as manifestações no caminhão de som.

 

“Temos que mostrar para os deputados que os trabalhadores brasileiros são contra esse desmonte da Previdência, que vai acabar com a nossa aposentadoria”, disse o presidente do STIMMMESL, Valmir Lodi. O metalúrgico contou aos trabalhadores que desde o dia 22 de fevereiro, a cidade conta o Comitê Sindical e Popular contra a Reforma da Previdência. “Estamos atuando em várias frentes para combater esse retrocesso.”

 

Ele informou que ontem (14), representantes da CNM/CUT entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), um abaixo-assinado com cerca de 100 mil assinaturas. “E nós não vamos dar sossego para eles, vamos cobrar e mostrar a cara desses deputados. Ele não podem votar contra a classe trabalhadora”, enfatizou Valmir.

 

“Hoje vamos parar São Leopoldo”, garantiu a presidente do Ceprol/Sindicato, Andreia Nunes, ao relatar a programação dos atos na cidade. “Quem de nós tem condições de trabalhar 49 anos?”, questionou ao explicar o motivo da paralisação nacional. “Precisamos barrar essa reforma. Quando entramos no mercado de trabalho, havia a perspectiva de que iríamos nos aposentar. Hoje não. Estão tirando o nosso futuro”, declarou a professora.

 

Andreia ressaltou a situação das mulheres, maiores vítimas da proposta do Temer (PMDB). “Querem impor a idade mínima, o nosso tempo de contribuição e diminuir a nossa aposentadoria.” Outro destaque feito pela professora foi acerca da Reforma Trabalhista, que prevê a retirada de diversos direitos com a regulamentação da terceirização e do negociado sobre o legislado. “Não podemos permitir isso, temos que ter consciência que os nossos direitos estão na lei”, finalizou ela.

 

Desmontando os mitos

Citando o famoso déficit, que não existe, e o modelo de sustentação da Previdência que integra o sistema da Seguridade Social (junto com a saúde e a assistência social), o deputado estadual Altemir Tortelli (PT-RS), que preside a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Previdência Social Rural e Urbana desmontou alguns mitos sobre o assunto.

 

“Há inúmeros dados de auditores fiscais que mostram que não há déficit e apenas neste ano, o governo deve tirar 120 bilhões dos cofres da Previdência”, contou. “Depois, ele falam que se não reformar, a Previdência vai quebrar. Isso é uma mentira”. Além disso, acrescentou o deputado, “as grandes empresas como Friboi e Itaú são as maiores devedoras da Previdência.”

 

Para Tortelli, as paralisações de hoje são muito importante. “O que está acontecendo em Brasília afeta diretamente a nossa vida e dos nossos filhos. Por isso, precisamos esclarecer os trabalhadores sobre o que está em risco”, concluiu.

 

Já o vereador Dudu Moraes (PT-RS), destacou que um dos objetivos da Reforma é vender planos de previdência privada, “e dar ainda mais lucros para os banqueiros e empresários.” Segundo ele, a medida também atingirá a economia dos pequenos municípios. “O dinheiro da aposentadoria faz a economia girar”, disse o vereador.

 

Crueldade

“A PEC 287 é uma grande violência, pois destrói os nossos direitos”, afirmou o petroleiro José Luis. Ele citou as dificuldades do final da década de 80. “Achei que retirar direitos e precarizar a trabalho eram coisas do passado. Mas não, precisamos estar sempre unidos”, disse.

 

Os trabalhadores das empresas paradas também se manifestaram contra a Reforma da Previdência. Cristiano Jacques, diretor do STIMMMESL e metalúrgico da Stihl,destacou problemas que a categoria enfrenta dentro das fábricas. “E ainda querem acabar com a nossa aposentadoria.”

 

Para Jorge Correa, diretor da CUT-RS e metalúrgico da Taurus, o golpe sempre foi contra os trabalhadores. “Há tempos alertamos isso, o objetivo era retirar os direitos de quem produz a riqueza desse país.”

 

Construção da greve geral

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, encerrou a assembleia em São Leopoldo contando que os metalúrgicos das maiores empresas de Porto Alegre, Canoas, Panambi, Passo Fundo e Horizontina estavam fazendo a mesma reflexão que os de São Leopoldo e desmascarando os mitos da Previdência.

 

“Nós sabemos que eles estão mentindo, mas não vamos derrotar esse ataque só com paralisações. Vamos ter que fazer uma grande greve geral. Atividades como esta, cumprem um papel de esclarecer, mas isso é a preparação para a batalha. O que é perder um dia para quem está perdendo o futuro?”, indagou o dirigente.

 

De acordo com Claudir, o senador Paulo Paim (PT-RS) está exigindo uma CPI e uma auditoria nas contas da Previdência. “A previdência é superavitária, não tem porque fazer essa Reforma”, garantiu.

 

Ele também criticou os grandes meios de comunicação que todos os dias adotam o discurso que a Previdência está quebrada e que a CLT gera desemprego. “Isso não verdade. Portanto, é importante que vocês acompanhem os materiais do sindicato, que se informem, porque daqui uns 5 anos saberão quem falava a verdade. Ali na frente temos um encontro com a história e com o futuro dos nossos filhos”, concluiu Claudir.

 

Após a atividade, os metalúrgicos se integraram nos atos do Ceprol que durante o dia realizará uma caminha, ato público e uma aula aberta sobre e Reforma da Previdência.

 

 

 

Fonte: STIMMMESL

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