O 9° Encontro da Rede Gerdau aprova plano de ação e fortalecimento do Protocolo Nacional

O 9° Encontro da Rede Nacional de Trabalhadores (as) da Gerdau terminou na quinta-feira (5), em São Leopoldo (RS) com a construção do plano de ação para o próximo período e o comprometimento dos participantes em debater o Protocolo Nacional com os sindicatos.

 

Avaliação do plano de ação anterior e a construção de novas medidas para os próximos 12 meses foram realizada pelos dirigentes sindicais que são trabalhadores da Gerdau das plantas de Sapucaia do Sul (RS), Charqueadas (RS), Ouro Branco (MG), Divinópolis (MG), Pindamonhangaba (SP), Sorocaba (SP), Garulhos (SP) e Pernambuco (RE), que participam do Encontro.

 

 

Protocolo Nacional

A principal ação é referente ao Protocolo Nacional de Relações de Trabalho com o Grupo Gerdau. Os participantes se comprometeram em fazer o debate sobre a implantação do Protocolo Nacional com as respectivas direções dos sindicatos.

 

Criado ano passado, no Encontro de Pindamonhangaba, o Protocolo é por adesão de cada sindicato e pretende ser um instrumento para reforçar normas e ampliar direitos.

 

Estabelecer princípios que inclua formas de organização para modernizar as relações de trabalho nas empresas, construir relações de trabalho que estabeleçam o diálogo como solução dos conflitos e propiciar organização no local de trabalho para condução do processo de democratização das relações intra fábrica são os objetivos principais do documento.

 

Desenvolvimento estagnado, desemprego alto e vagas precarizadas

Na parte da manhã, a economista do Dieese, Cristina Pereira Vieceli apresentou a análise de conjuntura, abordando um recorte setorial e específico da Gerdau. "A crise capitalista estagnou o desenvolvimento mundial. No Brasil, a crise chegou com mais força a partir de 2014", recordou. Segundo ela, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano é que fique em 2,8%, apresentando um crescimento de 1% em relação a 2017.

 

 

Entre 2014 a 2017 houve diminuição da despesa com consumo das famílias, desaquecendo a economia. Neste mesmo período, a evolução industrial no país apresentou índices de queda. Só houve uma pequena melhora nos últimos meses de 2017.

 

Para a economista, a alta taxa de desemprego é atualmente uma das mazelas da classe trabalhadora, após um período de pleno emprego. "Está havendo um aumento na oferta de vagas. Porém, são postos precarizados, informais e terceirizadas", contou. Segundo ela, a aprovação da reforma Trabalhista potencializou esse cenário, "as ofertas aumentaram, mas não aumentou a massa salarial do trabalhador".

 

Mais um exemplo mostrado por Cristina foi em relação ao valor da cesta básica em fevereiro. "Considerando o salário mínimo, em Porto Alegre a alimentação comprometeu 49% da renda. Em São Paulo, o índice foi de 45%. Isso mostra claramente que a remuneração dos trabalhadores é muito baixa", declarou ela.

 

Cenário da siderurgia

O setor siderúrgico é o primeiro na cadeia produtiva e é caracterizado por grandes empresas multinacionais, centralização das decisões sobre o rumo do setor e investimentos, nas décadas de 1980 e 1990 apresentaram inúmeras privatizações e apresenta divisão internacional da produção. A chamada parte quente é mais poluidora, tem menos valor agregado e remunerações menores para os trabalhadores é direcionada aos países emergentes, como o Brasil. Já a parte fria é destinada aos países desenvolvidos e apresenta um maior valor agregado, qualificação e remuneração melhores.

 

 

O Brasil está na 9ª posição em produção de aço, o primeiro lugar é da China. "Atualmente há excesso de aço no mundo e isso impacta no preço das commodities do aço", explicou. De acordo com a economista, o mercado do país é composto por 30 empresas administradas por 11 grupos econômicos.

 

A utilização da capacidade instalada é de 62,1% e exportamos para mais de 100 países. "Em 2016, o Brasil era o 11° exportador mundial", disse ela. Minas Gerais é o estado que mais produz, cerca de 30,8% da produção nacional.

 

A construção civil, automotivos, bens de capital, máquinas e equipamentos são os setores que mais consomem o aço. A Gerdau junto com a Usiminas, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Arcelor Mittal são os grupos que concentram a maior parte da produção.

 

Mais especificamente sobre a Gerdau, Cristina fez um apanhado da trajetória da empresa que é a maior utilizador de sucatas da América Latina e tem plantas em 14 países. “No Brasil, a empresa já esteve em 27 estados, porém atualmente passa por um momento de vendas de ativos e esse cenário está mudando. Nos Estados Unidos, a Gerdau já teve mais de 90 unidades”, explicou.

 

Desde 2017, a empresa apresenta um processo de desinvestimentos se desfazendo de ativos no Brasil e em outros lugares do mundo, como no Chile onde encerrou as atividades.

 

Avaliação e agenda

Na avaliação dos coordenadores, o 9° Encontro da Rede Nacional cumpriu seus objetivos. O coordenador da Rede pela CNTM, Geraldo Francisco destacou que o evento é fundamental para enfrentar o que a Gerdau tem feito com os trabalhadores. “Não foi fácil encarar as mortes dos companheiros na planta de Ouro Branco, aqui na Rede percebi que não estamos sozinhos”, disse.

 

 

O coordenador da Rede pela CNM/CUT e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e Região, Anderson Macedo Gauer, agradeceu a participação e destacou a qualidade dos debates. “Fizemos boas discussões sobre a realidade dentro da fábrica e o momento político que vivemos, sem dúvida, saímos mais preparados para lutar por melhores condições de trabalho para os metalúrgicos da Gerdau”, encerrou.

 

No final da atividade foi apontado que o 10° Encontro da Rede Nacional será realizado em Pernambuco (RE), no primeiro trimestre de 2019. Já o Encontro Internacional da Rede será nos dias 17 e 18 de maio, em Santo Domingo, na República Dominicana.

 

 

Fonte: STIMMMESL

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