Campanha salarial: trabalhadores da Gedore aderem ao abaixo assinado contra a retirada de direitos

Nesta quinta-feira (30), o Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) realizou assembleia com os trabalhadores e trabalhadoras da Gedore, em São Leopoldo. A proposta absurda de retirada de direitos, defendida pela patronal foi apresentada aos trabalhadores que preencheram um abaixo-assinado manifestando posição contrária e em defesa da manutenção das cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Além dos direitos, o STIMMMESL reivindica o índice da inflação, mais aumento e real. A pauta apresentada pelo sindicato patronal prevê a retirada do quinquênio e da garantia ao aposentando, homologação apenas na empresa, alterações na revista pessoal, no auxílio-estudante e na marcação do ponto, férias parceladas em três vezes, banco de horas individual e trabalho aos sábados, entre outras medidas que prejudicam os trabalhadores.

Devido a problemas de saúde do presidente do STIMMMESL, Valmir Lodi, o vice-presidente do Sindicato, Rogério Cidade coordenou a assembleia e alertou sobre a importância da unidade “neste momento de enfrentamento, não só contra os patrões, mas contra a Reforma Trabalhista”.

Ele também convocou os trabalhadores para participarem da assembleia no final da tarde de hoje, na sede do Sindicato. “Os patrões querem retirar direitos históricos como quinquênio, auxílio-estudante, intervalo, além do banco de horas individual e do trabalho aos sábados. Por isso, a nossa assembleia é muito importante e se a categoria tirar estado de greve não vamos vir fazer assembleia e sim, parar as atividades”, declarou Rogério.

Em seguida, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Novo Hamburgo, Lauro Amaral, relatou que na cidade vizinha, a situação é a mesma. “O desejo da patronal é colocar as leis da Reforma Trabalhista na Convenção. E isso é mais um efeito do golpe que tirou a presidente Dilma”, alertou ele. Lauro explicou também que a base do Sindicato dos Metalúrgicos de Sapiranga enfrenta o mesmo problema, pois as três entidades negociam com a mesma patronal.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, Paulo Chitolina abordou um dos aspectos da Reforma Trabalhista, que permite negociação direta com os trabalhadores. “Os patrões sempre sonharam com isso, pois não gostam do Sindicato”. De acordo com ele, a AGCO, de Canoas, está fazendo contrato temporário com alguns trabalhadores. “Eles trabalham ao lado de quem faz a mesma tarefa, mas recebem um salário e inferior e não tem os mesmos direitos (férias, 13o salário, PLR, entre outros), pois o temporário é precarizado”, contou. Chitolina informou sobre o como foi a campanha de Canoas que fechou com 2,70% de reajuste e renovação da CCT até 2020. “É lamentável essa situação aqui no Vale dos Sinos. Em todo o estado fechamos as campanhas estão encerradas”, concluiu ele.

“O que acontece aqui em São Leopoldo não é brincadeira, é muito sério e vocês tem todo o apoio dos 29 sindicatos filiados a nossa Federação”, disse o presidente da FTM-RS, Lírio Segalla. Segundo ele, os metalúrgicos do Vale dos Sinos estão sentindo na pele os malefícios da Reforma Trabalhista. “É simbólica a mobilização dos trabalhadores da Gedore, porque tem efeito na mesa de negociação”. Lírio disse ainda que apesar dos patrões desejarem acabar com a espinha dorsal da luta, que são os sindicatos, foi muito importante acabarem com o imposto sindical. “Quem tem que sustentar o sindicato são os trabalhadores e não o governo ou os patrões”, defendeu. 

Alguns dirigentes do STIMMMESL que são trabalhadores da Gedore também se manifestaram e falaram sobre questões específicas da empresa. Alexandre Rocha recordou que muitas vezes a empresa trata com ironia os problemas de quem produz a riqueza da fábrica. “Foi assim no caso da cesta básica e sabemos que estamos com problemas na área da saúde e caso os patrões consigam implementar a pauta deles, esse cenário ficará ainda pior”, enfatizou.

O diretor Nelson Rodrigues, também salientou as situações que os trabalhadores da empresa enfrentam no chão de fábrica. “É fundamental a compreensão de todos metalúrgicos da Gedore neste momento de luta”, reforçou Nelson.

Ailson Nascimento, ressaltou que “justo hoje, um dia de luta, a empresa abriu todos os portões, coisa que nunca faz. Sempre deixa os trabalhadores na rua, na chuva e no frio”. O diretor também falou do ambiente insalubre da empresa que maltrata os trabalhadores. “Já vinhamos sofrendo por posturas da empresa e esse é mais um motivo para sermos contra e recusarmos a proposta da patronal. Não vamos aceitar retirada de direitos.

Ainda hoje, na sede do Sindicato, acontece a assembleia geral para decidir os rumos da campanha salarial. A primeira chamada é às 18h e a segunda, às 18h30. A direção do STIMMMESL salienta a importância da participação de todos, pois juntos somos fortes.

Fonte: STIMMMESL

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