Em dia de Luta por LockDown Nacional, Metalúrgicos protestam na entrada de fábricas de São Leopoldo e em Campo Bom

Atividades foram realizadas em frente a Ferramentas Gedore,
Sthil em na porta da Prefeitura de Campo Bom

No dia em a que as centrais sindicais promovem atos nacionais cobrando Lockdown em todo o país contra o agravamento da pandemia de Covid-19, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMME-SL) promoveu, nesta quarta-feira (24), manifestações em frente às fábricas da Gedore e Sthil, no Vale dos Sinos, e em Campo Bom.

O objetivo foi o de conscientizar a base da categoria sobre a importância de pararem as atividades em defesa da vida e pelo auxílio emergencial de R$ 600,00 para aqueles que perderam suas fontes de renda devido à crise econômica e sanitária.
Às 6h, na hora da troca de turnos da Ferramentas Gedore S/A, no bairro Vicentina, dirigentes da entidade falaram aos metalúrgicos do chão de fábrica da empresa.

O presidente do sindicato, Valmir Lodi, alertou para o cenário caótico do Brasil, Rio Grande do Sul e agora os municípios da região do Vale dos Sinos experimentam. As cidades sofrem com a falta de insumos para tratamento médico, superlotação de leitos hospitalares e falta de respiradores para os casos graves de coronavírus.

“O governo está lavando as mãos para a classe trabalhadora. Estamos chegando a 300 mil mortos e o Bolsonaro ainda fala em gripezinha. Isto é absurdo e temos de denunciar. Estamos em um protesto nacional, lutando por um plano de sustentabilidade para que as pessoas possam ficar em casa, sem riscos de contaminação”, disse Lodi.
“Só saiam de casa para trabalhar e se houver extrema necessidade. Não temos mais respiradores e leitos. Não adianta ter dinheiro, quando não há vacinas para todos”, concluiu o dirigente sindical.

O secretário de Saúde do STIMMME-SL destacou que o lockdown prévio é uma forma de evitar o crescimento do número de mortes em solo gaúcho e salvar empregos.

“Sem vida não tem trabalho, por isso propomos uma parada estratégica de 10 dias. Pois o agravamento da pandemia só vai intensificar ainda mais a situação da Saúde pública e da economia. Daqui a pouco o vírus vai nos encurralar em um sistema que já está colapsado e pode ruir de vez. É claro que todos precisam trabalhar, mas não há outra saída, ou paramos agora ou amanhã, quando mais gente estiver morrendo. São 300 mil vidas, não são números”, criticou Valdemir Pereira.


O diretor do sindicato que atua na Gedore, Alexandre Rosa da Rocha, mais conhecido como “Pardal”, lembrou que não é de hoje a luta da categoria em defesa da saúde dos trabalhadores.

“Desde o ano passado nós estamos nos mobilizando, fazendo acordos por fábrica, pensando na saúde dos trabalhadores. Aqui, na Gedore, tivemos suspensões de contratos, redução de jornada e sempre estivemos dialogando com os patrões e pensando na vida de quem trabalha”, lembrou Alexandre.

“Hoje, nossa entidade continua batalhando pela vida e renda dos trabalhadores. Em Sapucaia do Sul, temos um Comitê de combate ao vírus e estamos lutando junto à prefeitura pela compra de vacinas. Lá, foram 19 mortos apenas no final de semana. A situação é grave”, avaliou Pardal.

À tarde, os dirigentes falaram de cima do caminhão de som para os trabalhadores que saiam da Sthil, fabricante de motosserras e equipamentos de potência, situada no distrito industrial de São Leopoldo.

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), Loricardo de Oliveira, destacou que, passado um ano do começo da pandemia, o vírus se aproxima a cada dia do cotidiano dos trabalhadores do Vale dos Sinos.


“É impossível encontrar alguém que não conheça uma pessoa que se contaminou ou morreu de covid-19. Gostaríamos de estar aqui por outra pauta que não a defesa das nossas vidas e de nossos familiares. No entanto, nós avisamos desde o começo sobre a gravidade da situação, mas os trabalhadores das fábricas relutaram em ter consciência, se aglomeraram, fizeram festas. Foram estimulados por um governo genocida, irresponsável e que gastou milhões com medicamentos sem comprovação científica, como é o caso da Cloroquina”, pontuou Loricardo.


“A situação que vivemos no Brasil, 360 dias após o início da pandemia, é desesperadora. Somos um dos países com o maior número de mortes por coronavírus no mundo e é por isso que um lockdown, com manutenção de emprego e renda, e tão importante agora”, enfatizou.

Manifestação em Campo Bom por compra de vacinas E audiência com prefeito


Após a polêmica envolvendo falta de respiradores no Hospital Municipal de Campo Bom, Loricardo de Oliveira e outros dirigentes que integram o Comitê Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras da cidade se reuniram com o prefeito Luciando Orsi (PDT) para debater a compra de vacinas contra o coronavírus pelo município e a integração do coletivo ao grupo de trabalho que discute medidas sanitárias e o plano de imunização em massa para Campo Bom.

O encontro foi um avanço em relação a tratativas passadas, uma vez que Orsi já havia desmarcado o encontro com os sindicalistas duas vezes. “Tivemos voz e vez, Finalmente fomos ouvidos”, celebrou Loricardo.

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