Sindicato reverte abusos em revisões contratuais de trabalhadores da Gerdau

Aditivo que responsabilizava funcionário por danos ao maquinário
da empresa foi retirado, beneficiando 30 mil trabalhadores da Siderúrgica brasileira

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMME-SL) conquistou uma importante vitória para os trabalhadores da unidade da siderúrgica Gerdau, Sapucaia do Sul, na última semana. Após denúncias de funcionários da fábrica, os dirigentes sindicais negociaram com os patrões e conseguiram retirar dos novos contratos de trabalho da empresa uma cláusula que responsabilizava os trabalhadores por danos causados à equipamentos e máquinas, cuja manutenção é de responsabilidade exclusiva da empresa.

A estimativa é de mais de 30 mil trabalhadores das mais de 15 unidades da Gerdau em todo país sejam beneficiadas com a remoção do aditivo contratual, que foi motivado pela exigência de adequação dos contratos da empresa à nova Lei Geral de Proteção de Dados, que vigora desde setembro do ano passado.

“Ficamos sabendo, por meio de denúncias anônimas, que os supervisores e outros profissionais que controlam a produção dentro do chão de fábrica estariam pressionando os peões a assinarem um aditivo que, dentre outras coisas, tornava o funcionário responsável, por exemplo, por qualquer dado ao maquinário por ele utilizado durante o expediente. Isto é absurdo e, assim que soubemos da situação, acionamos a nossa assessoria jurídica e fomos para cima dos patrões”, explicou o secretário-geral do sindicato e trabalhador da empresa, Valdemir Pereira.

Conforme o presidente do STIMMME-SL, Valmir Lodi, nenhum funcionário danifica o patrimônio de uma empresa intencionalmente.

“Só um sabotador destrói seu equipamento de trabalho propositalmente e este não é o caso da imensa maioria dos trabalhadores da Gerdau, por isso não se pode punir centenas de metalúrgicos com um aditivo abusivo desses. Mais uma vez, fizemos nosso trabalho. Fomos atrás do departamento de Recursos Humanos que prontamente se comprometeu em retirar a cláusula das revisões contratuais”, comemorou Lodi.

Sem leitura não tem assinatura

“Sem leitura não tem assinatura. Caso os trabalhadores tenham dúvidas, procurem o sindicato e solicitem explicação que nós buscaremos sanar todas as dúvidas sobre as revisões contratuais”, alertou o sindicalista, que também alertou para a contrapartida dos trabalhadores.

“Todos que trabalham em plantas industriais sabem que a realização de gravações nas dependências de uma fábrica pode configurar espionagem industrial e render uma demissão por justa causa, mas é sempre bom lembrar e apelar para o bom senso da categoria”, lembrou Lodi.

 

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