Em defesa do emprego e contra a alta taxa de juros, Sindicato realiza ato em frente à Taurus

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL) realizou um ato em defesa do emprego e contra a alta taxa de juros em frente a Taurus, no começo da tarde desta terça-feira (1o). A atividade integrou as mobilizações, convocadas pela CNM/CUT para os dias 1º e 2 de agosto contra os altos juros cobrados no país, pelo impeachment do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e em defesa de uma política industrial, emprego, salário e direitos iguais entre trabalhadores e trabalhadoras.

 

 

O presidente do Sindicato, Valmir Lodi, criticou a alta taxa dos juros e as demissões na empresa. “Investidores e empresários deixam de investir com essa taxa a 13,75%. O presidente do BC, Campos Neto, está na contramão do desenvolvimento e da criação de emprego.” Para ele, os empresários também precisam pressionar para os juros baixarem.

“Somos contra as demissões aqui nas empresas da região, como na Taurus. Já procuramos o senador Paulo Paim, o superintendente regional do trabalho e o prefeito, mas todos tem que fazer a sua parte, inclusive a direção da empresa”, afirmou ele ao se referir a demissão de 100 trabalhadores da Taurus, no último dia 25.

 

 

Trabalhador da Taurus há mais de 30 anos, o vice presidente do STIMMMESL, Rogério Cidade afirmou conhecer bem a postura da empresa, “que sempre arruma um jeito para demitir nessa época do ano e dessa vez foi o decreto do governo federal.”

“Estamos aqui em defesa do emprego, somos contra as demissões e estamos fazendo o que podemos”, disse ao se referir as reuniões com o senador e na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Ele também enfatizou que na pandemia a empresa não parou a produção e que todas as empresas tem que cumprir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

 

 

Também trabalhador da empresa, o diretor do Sindicato, Adão Silveira dos Santos afirmou que a postura da Taurus, com demissões recorrentes, amedronta os trabalhadores. “Estamos aqui para defender o emprego e tirar o presidente do Banco Central, que está atrasando o desenvolvimento do país.”

 

 

Já o secretário de Finanças do Sindicato, Genilso Vargas declarou que a entidade questiona a conduta da Taurus, que no dia seguinte da publicação do decreto demitiu os trabalhadores. “Estamos buscando maneiras de cessar as demissões. Defendemos um trabalho digno e saudável e isso não se enquadra num local onde o trabalhador tem medo de ser demitido”, declarou Genilso.

Destacando a importância da saúde mental dos trabalhadores, o secretário geral do STIMMMESL, Valdemir Ferreira Pereira, disse que “trabalhar com a sombra da demissão ameaçando não é saudável.” Para ele, muitos brasileiros estão endividados por conta da alta taxa de juros e um ambiente de trabalho inseguro, só causa mais problemas.

 

 

O presidente da CNM/CUT, Loricardo Oliveira, explicou como a alta taxa dos juros incide nas compras parceladas, por exemplo. “A gente compra um celular e paga três vezes o valor. O trabalhador pega um financiamento para a casa própria e vai pagar o valor de duas”, disse.

De acordo com ele, o Brasil precisa avançar e ter uma taxa de juros que contribua para isso. Eles não querem que a gente compre, querem é tirar o nosso acesso ao consumo”, acredita Loricardo, que explicou ainda que Campos Neto foi uma indicação do ex presidente. “Portanto para haver crescimento e desenvolvimento, o Senado Federal tem que se manifestar e cassar esse cara”, finalizou o dirigente.

 

 

Entenda – pela sexta vez consecutiva, o Brasil é o país com a maior taxa de juros reais do mundo, segundo levantamento feito pelo site MoneYou em junho, após a última reunião do Copom. Descontada a inflação, a taxa real brasileira é de 7,54%. O segundo lugar é o México, que tem taxa real de 5,94%.

A manutenção da taxa Selic em números elevados custa bilhões ao Brasil, que poderiam ser usados para investimento em setores importantes como saúde, educação, moradia, meio ambiente, desenvolvimento industrial, entre outros. Segundo dados do próprio Banco Central, a cada 1 ponto percentual da Selic mantido por 12 meses o país gasta cerca de R$ 43 bilhões a mais com a dívida bruta, que abrange o total dos passivos de responsabilidade do governos federal, além de estados e municípios.

 

 

Fonte: STIMMMESL com informações da CNM/CUT
Fotos: Renata Machado (STIMMMESL)

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