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Crise Climática e Mundo do Trabalho: seminário debate impactos das mudanças climáticas na vida dos trabalhadores

Atividade organizada por sindicatos de metalúrgicos da região acontece em 3 de setembro, no Auditório Paulo Freire, e reunirá dirigentes sindicais e profissionais de diversas áreas

A crise climática já está transformando as condições de vida e de trabalho de milhões de pessoas em todo o mundo. O aumento das temperaturas, as ondas de calor, enchentes, temporais e outros eventos extremos provocam consequências que vão muito além dos danos ambientais e atingem diretamente a saúde, a renda, a moradia e a rotina da classe trabalhadora.

Para discutir esse cenário e construir estratégias de enfrentamento, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre realiza, no dia 3 de setembro, o seminário “Crise Climática e Mundo do Trabalho: Impactos, Direitos e Estratégias de Enfrentamento”.

A atividade será realizada no Auditório Paulo Freire, das 9h às 17h, reunindo dirigentes sindicais, estudantes e profissionais de diversas áreas. O evento é realizado em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos de Cachoeirinha, Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo, Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, Instituto Integrar, DIEESE, CUT-RS e do escritório Woida.

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Calor extremo já é um problema para o mundo do trabalho

Entre os temas que estarão no centro do debate está o aumento da exposição dos trabalhadores ao calor extremo.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 2,4 bilhões de trabalhadores estão expostos ao calor excessivo no mundo, o equivalente a 71% da força de trabalho global. O cenário é particularmente preocupante em atividades em que os trabalhadores desenvolvem suas atividades em ambientes fechados.

A exposição ao calor excessivo está relacionada a 22,85 milhões de lesões ocupacionais e cerca de 19 mil mortes por ano, segundo os dados apresentados no documento.

Nas Américas, por exemplo, a região registrou, desde 2000, um aumento de 33,3% nas lesões ocupacionais relacionadas ao estresse térmico, uma das maiores elevações registradas entre as regiões analisadas.

A OIT alerta ainda que o estresse térmico pode provocar doenças, lesões e até mortes. A exposição prolongada ao calor pode causar problemas cardíacos, pulmonares e renais, além de outras consequências para a saúde dos trabalhadores.

 

Uma realidade já presente nos locais de trabalho

Para Marcelo Nascimento, diretor de formação do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e responsável pela idealização do seminário, a discussão não é apenas uma previsão para o futuro. As consequências do calor já aparecem diariamente nas denúncias recebidas pela entidade. Segundo Marcelo, todos os anos são registradas diversas denúncias de trabalhadores relacionadas ao calor e às condições exaustivas nos ambientes de trabalho.

A partir dessa realidade, o seminário pretende ampliar a discussão para além da resposta imediata aos problemas. A proposta é fortalecer a capacidade do movimento sindical de atuar na prevenção e na formulação de estratégias que garantam ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. “O Sindicato não pode atuar só como um sindicato bombeiro que apaga fogo, mas sim como um Sindicato que tira diretrizes e resoluções para as políticas para melhorar a vida da classe trabalhadora”, afirma Nascimento.

A vice-presidenta do STIMMMESL, Erenita Fernandes dos Anjos conta que foram realizados dois encontros para preparar o evento, com uma grande troca de ideias e conhecimento. “Estamos refletindo sobre o que podemos fazer pra ajudar os trabalhadores dentro das fábricas, que sofrem com chuvas excessivas, frio e calor”, pondera. Ela adianta, também, que um dos objetivos é levar o debate até as autoridades competentes para eles se somarem nesta luta.

Junto com Erenita na organização, o secretário de Formação Política, Lazer e Cultura do STIMMMESL, Alexandre Gil e Silva destaca que o debate central é sobre o que muda na vida do trabalhador sobre as condições climáticas. “No nosso estado, trabalhamos no inverno com temperaturas baixíssimas e no verão, são muito altas. Além disso, as condições de trabalho nas empresas também interferem, na rua pode estar quase 40 grau, mas dentro de uma empresa pode chegar passar de 50 graus. Por isso, pensar no bem-estar e saber como agir para ajudar os trabalhadores é muito importante.”

 

Os efeitos vão além do ambiente de trabalho

A crise climática também atinge a classe trabalhadora fora dos locais de trabalho.

As enchentes de 2024, por exemplo, segundo especialistas, provocaram perdas materiais, danos às moradias e despesas emergenciais que comprometeram a renda das famílias.

Os eventos climáticos extremos também podem provocar impactos sobre a saúde mental, com traumas, insegurança e sofrimento que permanecem mesmo depois do fim de um desastre.

Por isso, a proposta do seminário é discutir a crise climática de maneira ampla, articulando saúde ocupacional, direitos trabalhistas, atuação jurídica, atendimento psicossocial, negociação coletiva e organização sindical.

 

Construir estratégias para proteger os trabalhadores

O objetivo do encontro é qualificar dirigentes e profissionais para compreender os efeitos das mudanças climáticas sobre a classe trabalhadora e contribuir para a construção de respostas coletivas.

A discussão também busca fortalecer a atuação dos sindicatos na negociação de medidas de prevenção e proteção, além da formulação de propostas e políticas públicas capazes de responder aos novos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

 

Fonte: STIMMMESL com STIMEPA

Foto: Divulgação

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