Metalúrgicos entregam pauta por reajuste e defendem contratação apenas de vacinados

Sindicatos da categoria avaliam que empresas têm condições de oferecer
um reajuste satisfatório, ainda mais com a inflação em alta

Reunidos na federação estadual da categoria (FEM), os 14 sindicatos de metalúrgicos ligados à CUT em São Paulo formalizaram ontem (29) o início da campanha salarial ao entregar a pauta de reivindicações às bancadas patronais. Com data-base em 1º de setembro, os metalúrgicos avaliam que as condições econômicas permitem conquistar um reajuste salarial razoável. Uma novidade na campanha é o item que pede contratação apenas de metalúrgicos vacinados contra a covid-19.

A FEM-CUT chegou a exibir aos negociadores empresariais um vídeo com informações sobre resultados positivos do setor. Segundo o presidente da entidade, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, a ideia foi demonstrar à bancada patronal que os metalúrgicos estão acompanhando o que se passa na economia. “Deixamos bem evidente que há condições de buscar um bom aumento salarial”, afirma. A negociação é feita por blocos econômicos. As montadoras têm negociação à parte, por região.

Salário e inflação

Ele destacou também a alta da inflação, particularmente em produtos básicos. “É necessário que este ano os metalúrgicos tenham um bom reajuste salarial. Não dá para os metalúrgicos assistirem somente o preço dos itens de consumo subirem de forma absurda e não verem seus salários reajustados satisfatoriamente.”

“Difícil sempre é e já estamos acostumados. Mas hoje, por mais que ainda enfrentemos uma pandemia, o que se nota em diversos setores é que temos um início de retomada, com crescimento, inclusive, em alguns deles”, acrescentou o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. “E os trabalhadores já perderam muito, tanto em salário como em direitos. É hora de termos a nossa retomada, da dignidade, do emprego, hora de repor o que o trabalhador foi perdendo ao longo destes anos.”

Contratação e vacina

Salário, vacina, emprego, direitos são alguns dos temas da campanha deste ano. A pauta inclui valorização dos acordos coletivos e política industrial com nacionalização de componentes máquinas e equipamentos. Os metalúrgicos propõem também uma cláusula por meio a qual, a partir de janeiro, as empresas só possam contratar pessoas vacinadas. Isso considerando que, pelo cronograma do governo estadual, toda a população adulta paulista estará imunizada até meados de setembro próximo. Caso esse calendário atrase, poderiam ser admitidos trabalhadores que estejam com vacinação agendada.

“Gostaríamos de ter uma reposta ainda em julho sobre este tema para poder anunciar que as partes têm acordo”, diz Luizão. “Os metalúrgicos têm de assumir sua responsabilidade com a saúde das pessoas que convivem com eles, agindo de acordo com o que diz a ciência.”

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