CNM/CUT celebra 30 anos e debate sobre emprego e vida digna para o povo no país

A celebração dos 30 anos da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) não foi apenas de olhar para a história da entidade, que contribuiu para mudanças estruturais no país e com o fortalecimento na luta da categoria no país.

A Live “Por empregos e direitos, a classe trabalhadora pela revogação da reforma trabalhista!”, que aconteceu ao vivo pelo Facebook na última quarta-feira (23), além de relembrar as três décadas de luta das metalúrgicas e dos metalúrgicos do Brasil, também falou sobre a importância de políticas públicas para uma vida digna para o povo brasileiro. A secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, coordenou o debate.

Desde o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), 117 artigos e outros 200 dispositivos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foram alterados ou impactados com a Reforma Trabalhista, sem contar as Medidas Provisórias (MP’s) do governo de Jair Bolsonaro (PL) que privilegiaram os patrões e não os trabalhadores e trabalhadoras.

“Um verdadeiro ataque aos direitos trabalhistas e sindicais”, aponta a Secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane dos Santos, ao iniciar a Live e criticar as reformas Trabalhistas que aconteceu nos últimos anos.

“Importante lembrar que a CNM/CUT nunca abandonou a trabalhadora e o trabalhador e se manteve atenta e atuante, mas apesar da luta o desmonte da legislação social e da legislação trabalhista condenou o trabalhador e a trabalhadora ao desemprego e ao trabalho precário. Agora é preciso reconstruir o país porque do jeito que está não dá”, afirmou Christiane.

O Brasil empobreceu, está com emprego precário e passando fome, aponta dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). São 19 milhões de pessoas passando de fome, 112 milhões vivendo a insegurança alimentar – sem o básico de alimento para viver– mais de 13 milhões de desempregos, 5 desalentados, quase 7 subocupados e 4,5 de pessoas com idade para trabalhar, que saíram para força de trabalho sem perspectiva de volta.

“A gente voltou para o Mapa da Fome, perdeu empregos, perdeu direitos, perdeu familiares e amigos, foram mais de 600.000 mil mortes nesta pandemia, muitas poderiam ser evitadas, caso o fascismo não estivesse no poder. A classe trabalhadora viu o que significou o impeachment e a eleição do atual governo para o Brasil e a retomada de um governo progressista se avizinha e é nisso que temos que ter esperança”, destacou o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, o Paulão.

Revogação da reforma Trabalhista

A revisão ou reversão da reforma Trabalhista precisa acontecer, mas depende de uma mudança no perfil do Congresso Nacional Brasileiro, afirma o presidente da CNM/CUT.

Segundo ele, a bancada empresarial, que atualmente soma 273 integrantes, foi fundamental para a aprovação tanto da reforma Trabalhista quanto da Previdenciária, que tiraram direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Além disso, destaca ele, “é urgente a gente mudar isso, mas só iremos conseguir se ampliarmos as bancadas de luta e elegermos um governo progressista. A gente viu que é possível”.

Espanha revoga reforma Trabalhista

A reforma trabalhista da Espanha foi uma das “inspiradoras” da “reforma” feita no Brasil em 2017, sob o governo ilegítimo de Michel Temer.  Lá como aqui, o pretexto de baratear as contratações para se criarem mais empregos fracassou. Isso porque, a principal consequência foi a precarização do trabalho e a criação de vagas mal remuneradas, com menos direitos e condições ruins de trabalho. A Espanha começa 2022 com mudanças importantes, de avanços na legislação laboral que coíbem alguns efeitos nocivos da reforma trabalhista de 2012.

A mudança faz parte de negociações que envolveu empresas, sindicatos e partidos que compõem a coalização que dá suporte ao Partido Socialista Espanhol (Psoe).

O responsável pela área Internacional da Confederação sindical espanhola (CCOO – Espanha), Juan Blanco, disse que reformas estruturantes e profundas requerem maioria importante na luta sindical para reverter a retirada de direito. Na Espanha houve uma coalização de forças e ainda ganhamos por pouco, mas o suficiente pra recuperar direitos, porque direito é humano. Vamos apoiar vocês no que precisar.

Política de Salário Mínimo

A concentração da riqueza voltou aumentar depois das reformas, com Bolsonaro e com a pandemia, segundo a Economista, Diretora Técnica Adjunta do DIEESE, Patrícia Pelatieri.

Segundo ela, país que quer se desenvolver não pode ter milhões de jovens fora do mercado de trabalho e uma queda da renda no trabalhador de 11%.

“Eu diria que a saída para isso seria ampliar os investimento com retomada industrial, conduzidos pelo setor público, o aumento da transferência de renda e a valorização do trabalho com a retomada da valorização do salário mínimo”, destaca Patrícia.

Renda mínima e sem exploração

O Bolsa família foi outra política pública destruída nos últimos anos. Ela foi alterada para um programa temporário que se chama agora auxílio Brasil, mas no fim de 2022 vai terminar e não sabemos o que há de ser das 14 milhões e 200 mil pessoas que dependem do benefício e já viu o índice de pobreza aumentar no último período.

O vereador de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), sempre foi defensor de uma renda mínima para as pessoas terem um vida digna.

“A constituição brasileira garante direito ao capital privado título para poder receber juros, lucros e aluguel, sem precisar comprovar que trabalha, por que não partilhamos a riqueza comum com uma renda suficiente para atender as necessidades da população?”, questiona.

Segundo Suplicy, a renda mínima garante dignidade e liberdade do ser humano. “Com a renda mínima o trabalhador vai ganhar o direito de dizer que não aceitar um trabalho que não seja digno e poderá fazer um curso até que surja uma oportunidade. Minha vontade é elevar o grau de dignidade real para todos. A ideia já é lei, mas com um presidente progressista eleito a gente vai implantar a renda básica universal para valer!”.

 

Fonte: CNM/CUT

Foto: Reprodução

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