“Os sindicatos lutam para que a gente não fique à mercê dos empresários”, afirma diretora do STIMMMESL, Tatiana Santana dos Santos

Aos 43 anos, a trabalhadora da Taurus há oito, Tatiana Santana dos Santos está iniciando o primeiro mandato como diretora do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Região (STIMMMESL). “Espero poder entrar no Sindicato para acrescentar e lutar junto”, disse ela.

Moradora de Gravataí, casada, mãe de duas meninas, de 8 e 19 anos, ela defende que “os sindicatos lutam para que a gente não fique à mercê dos empresários”, assim como a importância das mulheres ocuparem seus espaços. Nesta entrevista de sexta-feira (29), Tatiana abordou também os desafios do movimento sindical, a retirada de direitos e a importância de aumentar os números de trabalhadoras sócias.

Confira a íntegra da entrevista:

 

Conte um pouco da sua história. Como se interessou pelo movimento sindical?

Foi quando ingressei na área da metalurgia e comecei a olhar para essa classe com outros olhos. Antes, eu trabalhava na área do comércio e não tinha essa noção da força e importância que os sindicatos tem. É um movimento que é bem forte e isso me interessou muito também, porque sou assim.

 

Você está iniciando seu primeiro mandato, qual a expectativa?

Espero poder entrar no Sindicato para acrescentar e lutar junto. Espero cada vez mais que a gente possa crescer junto com o Sindicato.

 

O fato de ser mulher, pesou na hora da decidir ingressar no movimento sindical?

Com certeza, porque ainda hoje ser mulher é um tabu. Ainda somos minoria.

 

 

Qual a importância das mulheres ocuparem seus espaços?

A importância da gente poder lutar igualmente, estar adquirindo os mesmos direitos. Então acho que é muito importante também a gente ter um espaço maior em todos os lugares.

 

Você acha que falta consciência de classe para os trabalhadores?

Quem trabalha na área fabril, na área que precisa do Sindicato, conhece mais. Mas nas outras áreas, falta consciência, com certeza.

 

Na tua opinião, qual a importância dos sindicatos na vida dos trabalhadores?

É muito importante até porque estamos perdendo nossos direitos cada vez mais. E os sindicatos lutam para que a gente não fique à mercê dos empresários

 

Qual a tua avaliação dos ataques que a classe trabalhadora tem sofrido desde o golpe de 2016. Como as reformas trabalhistas e da previdência?

A minha avaliação é que isso já vem de um tempo, já estava sendo planejado para tudo isso acontecer, para que cada vez mais a gente fique dependendo dos patrões

 

O movimento sindical, como um todo, está muito desacreditado. Como reverter isso?

União. Acho que neste momento a gente tem que se unir, tem que ir a luta, correr atrás, porque sem isso não tem como. Agora é a hora de realmente lutarmos.

 

Na tua opinião, qual o principal desafio do movimento sindical no próximo período?

Desafio é realmente é o que aconteceu na outra pergunta, precisamos dar mais consciência para os trabalhadores do que realmente está acontecendo. E tentar fazer eles acreditarem de novo que pode ser mudado.

 

 

Como atrair mais sócios para o sindicato, principalmente mulheres?

A gente atuando como diretora e tendo mais mulheres na direção já vai ajudar nesta questão de trazermos mais mulheres porque a gente tem uma linguagem diferente de trabalhar mulher com mulher. Da minha parte, quero ter projetos para mulheres aqui dentro, como tem bastante homens, as mulheres acabam ficando para trás e com alguns projetos diferentes a gente consegue fazer isso.

 

Gostaria de acrescentar alguma coisa?

Estou muito feliz de estar participando e ter entrado para essa família. Porque nos consideramos uma família, vamos nos ver bastante e que a gente possa lutar esse ano para que possamos adquirir nossos direitos de volta.

 

Fonte: STIMMMESL

Imagens: Israel Bento Gonçalves (STIMMMESL)

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