Banco Central não pode ser um “Quarto Poder”, afirma secretário-geral da CNM/CUT

Desde agosto do ano passado, o Banco Central mantém a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Isso faz com que o Brasil tenha a maior taxa real de juros do mundo (8,16%, descontada a inflação). O segundo colocado, o México, tem 5,39% de juros reais. Os números são da corretora Infinity Asset Management, que avalia os juros reais, praticados pelo mercado, em 156 países.

Com os juros lá no alto, o trabalhador é quem mais sofre. É o que avalia o secretário-geral da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira. Ele critica a independência do Banco Central, que foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2021, e enxerga isso como a criação de um poder paralelo à república.

“Nós, trabalhadores e trabalhadoras do ramo metalúrgico, nos manifestamos contra essa mudança na lei que tornou o Banco Central independente, pois ela tornou a entidade uma espécie de Quarto Poder da república”, afirma o dirigente. “Isso é ainda piorado hoje pelo fato do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, ter ligações fortes com o governo Bolsonaro, que foi extremamente irresponsável com a atividade econômica”, completa.

Loricardo enxerga que a manutenção dos juros altos só interessa para o setor financeiro, que pode ter ganhos altos na Bolsa de Valores, porém não investe no setor produtivo. “Nós precisamos de investimento na indústria, precisamos de investimento na produção, nós precisamos que os trabalhadores tenham mais renda, com melhores salários, e com essa alta taxa de juros, isso é impossível”.

Retomada econômica travada

Em fevereiro de 2021, quando foi aprovada a Lei Complementar que autoriza a independência do Banco Central, o DIEESE já alertava para os problemas que um eventual novo governo teria após a medida. “Se, por exemplo, em 2022, o país eleger um novo presidente, com um projeto de retomada da atividade econômica, geração de empregos, desenvolvimento econômico, com redução das desigualdades, ele terá sérios problemas para seguir adiante com os propósitos que o elegeram”, afirma a entidade em informe na época.

O texto continua: “Na prática, um novo projeto eleito pelo voto popular terá enormes dificuldades em fazer política fiscal, em função do teto de gastos, e em implementar uma política monetária, pois terá que conviver por dois anos com um Banco Central comprometido com o projeto político anterior, derrotado nas urnas”.

Quem hoje trava a batalha mais árdua contra as ações do BC é o presidente Lula, reeleito pela terceira vez, com uma plataforma política visando a retomada da atividade econômica. Em uma série de críticas recentes, ele expôs as contradições que a autonomia do Banco Central traz para a economia brasileira e irritou o mercado financeiro, que enxerga a autonomia como inviolável.

Porém, Lula não está sozinho nas suas queixas. Um manifesto com mais de 3600 assinaturas de economistas brasileiros ecoa as críticas do presidente ao BC. E, uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest apurou que 76% dos brasileiros acreditam que Lula está certo em tentar forçar a queda da taxa de juros. Em entrevista a CNN, ele afirmou que poderá rever a autonomia do BC ao final do mandato de Campos Neto, se a economia não melhorar.

 

Fonte: CNM/CUT

Foto: Reprodução

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