Em greve nacional, petroleiros subsidiam venda de gás de cozinha e gasolina à população

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A paralisação nacional dos petroleiros chegou nesta quarta-feira (5) ao seu quinto dia com a adesão de cerca de 18 mil trabalhadores em todo o país, segundo balanço da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Ao longo do dia, com o objetivo de ampliar o diálogo com a população e alertar sobre os prejuízos causados pela política de privatização e desmonte da Petrobras, sindicatos fizeram atos com venda subsidiada de gasolina e gás de cozinha em diferentes estados do país.

No Rio Grande do Sul, o Sindipetro-RS promoveu a venda de 100 botijões de gás de cozinha a R$ 40, na Vila João de Barro, no bairro Niterói, em Canoas. Os moradores fizeram longa fila para adquirir o produto, que é essencial na casa de cada trabalhador e trabalhadora.

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Ao mesmo tempo, dirigentes do sindicato denunciaram as demissões de petroleiros no Paraná e a política de desmonte e privatização da Petrobrás sob o comando do governo Bolsonaro, o que poderá trazer mais prejuízos para a população e aumentar ainda mais os preços dos combustíveis.

No Espírito Santo, houve venda do litro da gasolina a R$ 2. Já em Alagoinhas, na Bahia, um botijão de gás de cozinha estava à venda por R$ 50, enquanto para os moradores de Araucária, no Paraná, era oferecido por R$ 40.

Segundo a FUP, a ação mostrou como os brasileiros são punidos pela atual política de reajuste de preços de derivados do petróleo adotada pela atual gestão da Petrobrás, que acompanha o preço internacional do barril do petróleo, sujeito à variação do dólar, desencadeando aumentos sucessivos.

Com os subsídios, os sindicatos frisaram que é possível vender os combustíveis e o gás de cozinha com produção nacional a preços justos, mantendo o lucro das distribuidoras, revendedoras e da própria Petrobras.

Greve por tempo indeterminado

Em greve desde o dia 1º de fevereiro, os petroleiros protestam contra a demissão de mais de mil trabalhadores com o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), subsidiária da Petrobras, e o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Localizada em Araucária, a Fafen é uma das mais importantes unidades de fertilizantes nitrogenados do país. Criada em 1982, foi privatizada pelo governo Itamar Franco na década de 1990 e estatizada novamente pelo governo Dilma Rousseff, em 2013.

A FUP denuncia que demissões em massa ocorreram sem nenhuma comunicação prévia ao sindicato ou à própria Federação. Ainda de acordo com a entidade, a paralisação segue por tempo indeterminado e já alcançou 30 unidades do chamado Sistema Petrobras em 12 estados brasileiros.

No dia anterior ao início da greve, um grupo de cinco dirigentes da FUP, que é considerada a maior entidade representativa dos petroleiros, ocuparam uma sala no quarto andar do prédio da estatal, localizado no Rio de Janeiro.

Tadeu Porto, um dos sindicalistas que participa da ocupação, afirma que a água e energia foram cortadas e só foram estabilizadas novamente após pressão de uma vigília formada por diversos movimentos sociais, sindicais e parlamentares do lado de fora do prédio.

“Nós só vamos sair depois que o pleito da categoria petroleira for atendido. Queremos dar uma saída digna para esses companheiros e companheiras. Nossa ideia principal é manter a fábrica [Fafen] produzindo. Com os empregos lá dentro, com fertilizante dentro do Brasil, com a tecnologia e com a indústria brasileira”, defende Porto.

O dirigente da FUP critica a política da Petrobras, alinhada ao capital estrangeiro em detrimento dos trabalhadores e da economia nacional, assim como a falta de diálogo com as entidades representativas do setor.

“Sabemos que não é desejo da empresa negociar. Ela não quer que resistamos a esse desmonte. Sabemos que o plano de privatização da Petrobras é um dos maiores desse governo e não só dele, mas da agenda neoliberal do Brasil que deu um golpe de Estado muito provavelmente para tomar conta desse petróleo”, denuncia.

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Solidariedade

O acampamento formado do lado de fora da sede da petrolífera, no Rio de Janeiro, conta com apoio de dezenas de sindicatos da categoria, assim como partidos e organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Nesta quarta-feira (5) acontece uma série de atividades no local, como oficina de batucada, panfletagem e duas aulas públicas com Dorival Gonçalves Júnior, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

Tadeu Porto acredita que, em meio a tantos retrocessos, o movimento de greve pode inspirar trabalhadores de todas as categorias.

“Nosso objetivo é que essa mobilização consiga salvar empregos no Brasil, que consiga reverter o quadro de desindustrialização e desemprego, e mostre para as outras categorias que quem tem a força efetivamente é a classe trabalhadora. O que está faltando pra gente é nos organizarmos um pouco melhor”, completa o dirigente da FUP.

Assista à transmissão do ato em Canoas

Assista à reportagem do Seu Jornal da TVT

Fotos; Sindipetro-RS

 

Fonte: CUT-RS com Sindipetro-RS e Brasil de Fato

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