Sem obras públicas, trabalhadores da construção civil amargam baixos salários

Três nefastas combinações resultaram em perdas salariais dos trabalhadores da construção civil: a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP); o fim das obras com investimentos públicos e as ações contrárias à ciência do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) que contribuíram com o descontrole da pandemia no Brasil.

Neste cenário e sem um programa de desenvolvimento sustentável, que aqueça a economia, as empresas do setor passaram a contratar mais, porém pagando bem menos. O que se vê são salários 14,8% mais baixos neste ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O rendimento médio dos trabalhadores ocupados na construção caiu, em termos reais, de R$ 2.087 para R$ 1.778 entre o segundo trimestre de 2020 e igual período deste ano. É o menor valor da série histórica, iniciada em 2012, apesar da retomada do emprego no setor que registrou alta de 19,6% com 6,4 milhões de trabalhadores contratados no segundo trimestre deste ano contra 5,3 milhões no mesmo período do ano passado, auge da pandemia.

Se por um lado a pior crise sanitária do século  afetou indiscriminadamente o mundo, as decisões políticas e econômicas após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) impedem a retomada do poder de compra dos trabalhadores, analisa José Abelha Neto, presidente da Federação dos Trabalhadores na Construção Civil e do Mobiliário e Montagem Industrial do Estado do Mato Grosso do Sul (Fetricom-MS).

Tanto Temer como Bolsonaro impediram as estatais de realizarem grandes obras para vender as empresas públicas. Somente o desinvestimento da Petrobras na construção de grandes plataformas no Brasil deixou 300 mil trabalhadores e trabalhadoras desempregados.

Já Bolsonaro, além de impedir as estatais de realizarem obras como ocorre com a Eletrobras que poderia investir R$ 30 bilhões, rebatizou o programa “Minha Casa Minha Vida”, criado em 2009 pelo ex-presidente de Lula, para “Minha Casa Verde Amarela”, e reduziu os investimentos.

Com Lula, o programa construiu a preços populares 1,8 milhão de moradias em todo o país.

Já com Bolsonaro, o que se viu foi a paralisação das obras de 250 mil moradias.

O auge do programa Minha Casa, Minha Vida no número de empregos ocorreu no governo Dilma, em 2012, com 1,2 milhões de pessoas trabalhando. Em maio deste ano, do total de 200 mil trabalhadores na construção civil, apenas 70 mil atuam diretamente na construção de casas populares.

De acordo com Abelha, o governo federal deixou de investir em obras não abrindo vagas pro trabalhador e ainda teve a reforma Trabalhista que legalizou o bico, o trabalho intermitente e tirou outros direitos. Sem carteira assinada e desemprego em alta, a maioria dos trabalhadores aceita salário baixo porque está passando necessidades e as empresas se aproveitam disso.

“Hoje os salários em carteira são muito baixos e o patrão ainda quer pagar por fora da lei, mesmo com a reforma Trabalhista tendo favorecido as empresas. O resultado são as pessoas trabalhando na informalidade e ganhando cada vez menos”, diz Abelha que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e da Construção e do Mobiliário (Sintracom), de Campo Grande (MS).

Segundo o dirigente, na negociação da data base 2020-2021, a sua categoria em Campo Grande, conseguiu a reposição da inflação de 6,22%, enquanto em anos anteriores sempre eles conquistava algo ganho acima da inflação, de 1% a 2%. Já outros sindicatos, diz, sequer conseguiram  recompor as perdas, com as empresas se aproveitando da crise, do alto índice de desemprego

“Sem obras públicas, o trabalhador tem de recorrer às buscar emprego em empresas privadas, que mesmo se recuperando da pandemia resistem a pagar um salário decente. Em Campo Grande (MS), por exemplo, um pedreiro ganha em média R$ 1.650, enquanto um servente, ganha R$ 1.250”, diz Abelha, que conclui “ para melhorar a oferta de empregos é preciso que o governo federal invista em grandes obras públicas”.

 

 

Fonte: CUT Nacional

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