Sindicalistas propõem união dos trabalhadores na América Latina por mais direitos

“Nuestra América: O papel dos sindicatos na construção de uma América Latina Industrializada” foi o tema de debate do segundo dia da Conferência de Política Industrial no 11º Congresso da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT “Reconstruir o Brasil de forma sustentável e humanizada com trabalho decente, soberania, renda e direitos”, nesta terça-feira (9).

Sindicalistas brasileiros e da América Latina destacaram a importância da união da classe trabalhadora na região para conseguir derrotar a organização da extrema direita e o avanço do neoliberalismo, mesmo em governos progressistas.

Participaram do debate Maria Soledad Calle, da UOM Argentina e IGU; Horácio Fuentes, da Industrial Chile; Jorge Ramón M. Ortega, do Los Miñeros no México; Alejandra Reynoso, do Sintia- México; Lu Varjão, da Industriall e CNQ-Brasil e IGU; e Cássia Bechara do MST. A metalúrgica do Sindicato do ABC, Priscila Zambelo Rozas, coordenou o diálogo.

O secretário de relações internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel Vasconcelos da Silva, lembrou que a extrema direita nunca esteve tão organizada, inclusive no parlamento, com pautas contra a classe trabalhadora e afirmou que só com unidade e a organização dos/as trabalhadores/as será possível impulsionar as políticas do governo do presidente Lula e avançar nas conquistas.

Jorge Ramón Ortega disse que a experiência dos/as trabalhadores/as da América Latina é comum, como a violação dos direitos pelas empresas e de governos próximos ao movimento sindical, como no caso do México, e isso fortalece a organização e luta. Segundo ele, essa relação internacional entre sindicalistas da região é fundamental para organizar a luta em nível mundial.

Já Alejandra Reynoso destacou que a luta é global e que é preciso lutar, porque com a luta pode se perder, mas “sem luta estamos perdidos”.

O sindicalista no Chile disse que há uma situação de dano político que se vive a bastante tempo, orientada pelas políticas e pelo populismo da extrema direita, e pela despolitização da sociedade e afirmou que os sindicatos são responsáveis em articular a luta da reivindicação social, direitos e pela mudança política na sociedade. Horácio disse que em governo progressista é o melhor estágio para as conquistas sindicais, mas a despolitização e o populismo de direita prejudicam este processo.

RIANA MARTINSRiana Martins

Maria Soledad destacou o problema histórico e permanente da América Latina, que é a desigualdade, e frisou que o movimento operário precisa assumir o protagonismo do próprio destino e decidir o presente e o futuro. E para isso, segundo ela, “implica para a América Latina discutir e lutar definitivamente para debater um modelo de desenvolvimento do nosso continente”.

Organização ampla

A diretora sindical brasileira, Lu Varjão, ressaltou a importância do macrossetor da indústria da CUT e do  Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID-Brasil) para construir uma política industrial mais ampla e conjunta.

“Não adianta a gente viver nos nossos sindicatos se a gente não se juntar e se fortalecer para enfrentar o capital. Precisamos nos organizar coletivamente com as mulheres, jovens, negros, indigenas no mundo do trabalho”, afirmou.

Pressão no governo

Cassia Bechara disse que mesmo o governo sendo progressista é preciso a luta popular. Segundo ela, o país e toda a região estão vivendo um período de crise profunda e de fortalecimento da extrema direita no continente nunca visto no país e que não existe políticas soberanas sem organização popular.

Ela também afirmou que a primeira tarefa dos metalúrgicos brasileiros é construir soberania nacional a partir da soberania regional da América Latina e só se dará com um grande processo de integração regional com posicionamento da América Latina no mundo.

“Sem povo organizado para defender e empurrar, o governo não se sustenta e não consegue construir política de esquerda que prometeu na campanha. O governo é que nem feijão, só cozinha com pressão”, destaca.

 

Fonte: CNM/CUT

Foto: RIANA MARTINS

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