Metalúrgicos do ABC protestam contra fechamento de mais uma fábrica na região

Sindicato busca alternativas para preservar os 225 empregos da Nakata,
que atua há 65 anos em Diadema e não vive crise

Os funcionários da Nakata Automotiva, em Diadema, região do ABC paulista, paralisaram a fábrica nesta terça-feira (2) e decidiram iniciar uma série de mobilizações em defesa dos empregos. Os protestos acontecem porque a direção da empresa anunciou o fechamento da unidade e a transferência para o município de Extrema (MG) até o final de março. A decisão surpreendeu os trabalhadores, uma vez que se trata de uma empresa em boas condições financeiras, que sempre comemorou o bom desempenho da unidade. Para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o anúncio feito pela fábrica, sem nenhuma tentativa de negociação prévia, foi uma “traição” aos empregados. A Nakata emprega 225 trabalhadores.

“Esta unidade sempre teve alta lucratividade, nunca falou em sair daqui e agora descobrimos que há quatro anos ela vem se organizando para deixar a cidade. Sem nenhum comunicado anterior aos trabalhadores e ao sindicato, nos chamou ontem com a decisão tomada”, ressaltou o secretário-geral da entidade, Moisés Selerges. Em reunião com representantes da empresa nesta segunda, o sindicato apresentou alternativas, mas não houve abertura de diálogo por parte do representante da fábrica. “Em nenhum momento ele abriu a possibilidade de negociar. O sentimento é que estamos sendo traídos há quatro anos, eles dão parabéns pela produtividade, falam que todos são uma família, mas estavam preparando a saída”, completou Moisés.

Total indignação
“Qual a sensação que fica para nós que recebíamos tapinhas nas costas e parabéns mês a mês porque a produtividade estava crescendo e agora recebemos uma notícia dessas? A sensação é de total indignação”, disse o funcionário da Nakata Leonardo da Silva Martins, o Cacique, coordenador do Comitê Sindical na empresa. O coordenador da Regional Diadema, Antônio Claudiano da Silva, o Da Lua, lembrou que a Nakata tem uma história de 65 anos na região. “É uma saída que vai afetar muitas vidas. Nós fomos traídos porque sabemos que essa fábrica tem lucro aqui e não é pouco.”

Moisés alerta que é preciso fazer uma discussão mais profunda sobre o que está acontecendo no Brasil. “É a política lá em Brasília, ou a falta dela, que decide o futuro aqui. Fábrica está parecendo barraca de feira, cada dia está num lugar e o governo só quer plantar soja, milho, derrubar árvore e matar índio. Temos que discutir isso”, afirmou o secretário-geral do sindicato.

Fonte: RBA

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